O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, afirmou categoricamente que não mantém qualquer relação de amizade ou proximidade com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em sua defesa apresentada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF). A manifestação ocorre em meio às investigações relacionadas à Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo mensagens atribuídas a Vorcaro, e que resultaram na abertura de procedimento administrativo contra o próprio Gonet.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal marcou para o dia 25 de setembro a análise do procedimento que investiga possíveis conflitos de interesse do procurador-geral, especialmente após a circulação de mensagens atribuídas a Vorcaro, que teriam sido coletadas no âmbito das investigações. O documento enviado por Gonet ao subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, reforça sua posição de afastar qualquer suspeita de envolvimento pessoal com o banqueiro.
Na sua defesa, Gonet negou veementemente qualquer vínculo de amizade ou interesse pessoal com Daniel Vorcaro. Ele afirmou que o único encontro presencial com o empresário ocorreu em abril de 2024, durante um evento jurídico realizado em Londres, no qual participaram diversas autoridades públicas. Segundo Gonet, o encontro foi de caráter público e acadêmico, promovido pelo Grupo Voto e pela revista eletrônica Consultor Jurídico, e não teve qualquer relação com atividades ilícitas ou interesses pessoais.
Além disso, o procurador-geral esclareceu detalhes sobre contatos telefônicos mencionados em relatórios da Polícia Federal, que indicam uma conversa breve com Vorcaro em 15 de março de 2025. Gonet explicou que essa interlocução ocorreu antes de qualquer conhecimento de atividades ilegais por parte dele e que a comunicação foi uma saudação rápida, motivada por um pedido do advogado Ciro Soares, que também foi apresentado a Gonet como empresário bem-sucedido. O PGR destacou que a conversa não envolveu temas relevantes ou relacionados às suas funções profissionais, reforçando sua ausência de envolvimento com o empresário.
Em relação ao Caso Master, Gonet afirmou estar plenamente apto a atuar nos processos relacionados ao caso. Sua defesa foi apresentada durante uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira, 15 de setembro, na qual ele negou qualquer relação de amizade ou proximidade com Vorcaro, além de classificar as acusações de tentativa de suspeição como “descabidas e estapafúrdias”. O procurador-geral também pediu o afastamento de qualquer hipótese de impedimento ou suspeição, defendendo sua imparcialidade na condução das investigações.
Durante a sessão, Gonet destacou ainda que a fala do ministro André Mendonça, do STF, no sentido de que não encontrou irregularidades na atuação do procurador-geral, foi um ponto favorável à sua defesa. Ele reforçou que não costuma participar de debates públicos fora do lugar adequado e que a manifestação do ministro, que reconheceu a inexistência de qualquer desabono em sua conduta, contribui para sua credibilidade perante o tribunal.
A apuração do procedimento administrativo no CSMPF, que visa esclarecer possíveis conflitos de interesse do procurador-geral, continuará com a análise marcada para o final de setembro. Gonet mantém sua postura de que sua atuação é imparcial e que não há elementos que justifiquem qualquer suspeita de envolvimento com Vorcaro ou atividades ilícitas relacionadas ao Caso Master.


