Um estudo recente realizado pelo King’s College London, no Reino Unido, revela que o consumo de cafeína por crianças de 9 a 11 anos pode estar associado a alterações no desenvolvimento cerebral, além de impactos na saúde mental e no padrão de sono dessas crianças. Publicada na revista Biological Psychiatry: Cognitive Neuroscience and Neuroimaging em 15 de outubro de 2023, a pesquisa analisou dados de 9.632 crianças, oferecendo uma visão detalhada sobre os efeitos do consumo de bebidas cafeinadas nesta faixa etária.
Durante o estudo, cada participante relatou a quantidade de bebidas com cafeína consumidas ao longo de uma semana, incluindo refrigerantes, chás e cafés. Os pais ou responsáveis também forneceram informações por meio de questionários que abordavam o tempo médio de sono das crianças. Além disso, foram realizadas tomografias cerebrais para avaliar a espessura e a área da superfície do córtex cerebral, regiões relacionadas ao processamento cognitivo, tomada de decisões, atenção e emoções.
Os dados coletados foram acompanhados por um período de um semestre e de 18 meses após o primeiro levantamento, permitindo uma análise longitudinal das mudanças. Os resultados indicaram que crianças que consumiam maior quantidade de cafeína apresentaram uma redução na espessura do córtex cerebral, mesmo após o ajuste para fatores socioeconômicos. Notavelmente, as crianças que ingeriam refrigerantes como principal fonte de cafeína já exibiam diferenças estruturais no cérebro, mesmo com uma ingestão semanal.
Segundo a pesquisadora Divyangana Rakesh, esses resultados reforçam a preocupação com o consumo de cafeína por jovens, uma vez que ela é uma substância psicoativa amplamente presente no cotidiano. Ela destaca que dois terços dos adolescentes consomem cafeína pelo menos uma vez por semana, muitas vezes sem regulamentação específica. Além do impacto na estrutura cerebral, o estudo identificou também alterações na saúde mental das crianças, incluindo problemas de humor, atenção e comportamento, além de uma redução no tempo de sono, fator que pode agravar os demais efeitos observados.
A especialista reforça que, embora o estudo não possa estabelecer uma relação de causalidade direta, os achados sugerem que tanto o consumo de cafeína quanto a qualidade do sono merecem atenção na discussão sobre a saúde mental infantil. “Nossos resultados indicam que o consumo de cafeína, especialmente proveniente de refrigerantes, e o sono insuficiente são aspectos que devem ser considerados na promoção do bem-estar psicológico dos jovens”, afirmou Rakesh em comunicado à imprensa.
Este estudo reforça a necessidade de maior conscientização sobre os efeitos do consumo de bebidas cafeinadas na infância, destacando a importância de políticas de regulamentação e orientações para reduzir o consumo precoce de substâncias psicoativas nesta faixa etária.


