A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta quinta-feira, 15 de outubro, um comunicado oficial reafirmando que a ivermectina, medicamento amplamente utilizado no tratamento de infecções parasitárias, não possui qualquer efeito comprovado na redução ou eliminação de tumores cancerígenos. A instituição reforçou a posição após o aumento de postagens falsas em redes sociais, que disseminaram informações equivocadas sobre o potencial antitumoral do medicamento.
Segundo a Anvisa, várias dessas publicações citam estudos realizados em laboratórios (in vitro) e em animais, sugerindo que a ivermectina teria propriedades contra o câncer. No entanto, a agência destacou que tais estudos, embora importantes na fase inicial de pesquisa, não representam evidências científicas suficientes para recomendar o uso do medicamento para esse fim. A circulação dessas informações irresponsáveis tem gerado confusão, levando pacientes a acreditarem que a ivermectina poderia substituir tratamentos oncológicos validados, o que não é verdade.
Além disso, a agência alertou que há relatos de que ensaios clínicos com a droga estariam sendo iniciados para avaliar sua segurança e possíveis benefícios em pacientes com câncer, além da comercialização de e-books e protocolos de tratamento que indicam a ivermectina como medicamento principal para o combate à doença. A Anvisa esclarece que, até o momento, não há qualquer pedido formal ou estudo aprovado pelo órgão para que a ivermectina seja indicada para tratamentos de câncer ou outras doenças não relacionadas às indicações na bula, que restringem seu uso a parasitas e vermes.
O combate às informações falsas é especialmente relevante no contexto do câncer, uma das principais causas de mortalidade global, responsável por aproximadamente 10 milhões de mortes por ano, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que haja cerca de 20,6 milhões de novos casos da doença anualmente em todo o mundo, reforçando a importância de tratamentos baseados em evidências científicas.
A circulação de rumores envolvendo a ivermectina remonta a 2019, quando estudos preliminares indicaram que o medicamento, assim como o mebendazol — outro antiparasitário usado no tratamento da doença de Chagas — apresentavam efeitos em células de ratos. Contudo, a agência ressalta que estudos realizados em laboratórios e em animais representam apenas a fase inicial de pesquisa e não podem ser considerados provas conclusivas de eficácia. Dados recentes publicados em 2024 pelo periódico PLOS Biology reforçam essa postura, ao apontar que apenas 5% dos medicamentos testados em animais avançam para testes em humanos, sob a supervisão de órgãos reguladores como a Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos.
A Anvisa alerta que a disseminação de informações falsas pode levar pacientes a abandonarem tratamentos comprovados, colocando suas vidas em risco ao recorrerem a substâncias sem respaldo científico ou orientação médica adequada. Atualmente, existem mais de 200 tipos de câncer diferentes, cada um com características específicas que demandam tratamentos individualizados. Entre as principais terapias reconhecidas pelo Ministério da Saúde estão a radioterapia, a quimioterapia e, em casos específicos, o transplante de medula óssea, sempre conduzidas dentro de protocolos clínicos baseados em evidências científicas.
Diante desse cenário, a agência reforça a importância de que pacientes consultem profissionais de saúde qualificados e sigam as recomendações médicas, evitando a automedicação e a adoção de tratamentos não comprovados, cuja eficácia e segurança não foram validadas por estudos científicos confiáveis.


