O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira, 24 de setembro, que foi oficialmente intimado pela Polícia Federal (PF) e que prestará depoimento em outubro no âmbito das investigações relacionadas ao Caso Banco Master. A convocação ocorre no contexto de um inquérito que apura possíveis irregularidades envolvendo servidores do próprio BC e a atuação do banco liquidado, além de possíveis favorecimentos e manipulações internas.
Segundo Galípolo, ele foi chamado a depor como testemunha em uma investigação que busca esclarecer suspeitas de irregularidades na atuação de funcionários do Banco Central em relação ao Banco Master, uma instituição financeira que foi oficialmente liquidada pela autoridade monetária em 2025, após a descoberta de um rombo bilionário em suas operações. A liquidação foi uma das maiores operações de intervenção do BC na história recente do sistema financeiro brasileiro, motivada pela identificação de fraudes de grande impacto econômico.
Durante uma declaração à imprensa, Galípolo afirmou estar à disposição das autoridades e reiterou seu compromisso de colaborar com as investigações. Ele destacou que já respondeu a questionamentos de diferentes instituições, incluindo o Senado e a Polícia Federal, e reforçou sua intenção de contribuir relatando detalhes sobre o processo de supervisão e decisão que culminou na liquidação do Banco Master. “Como eu já disse várias vezes, eu estou sempre à disposição de todas as instituições, respondendo aqui, no Senado, na Polícia Federal, para poder contribuir, relatando aquilo que eu já relatei algumas vezes, mas estou sempre à disposição para poder relatar como foi esse processo”, afirmou.
A convocação de Galípolo ocorre após o seu nome ter sido mencionado em depoimentos colhidos pela Polícia Federal ao longo das investigações. Além dele, também foram intimados o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. Esses depoimentos fazem parte de uma fase de coleta de testemunhos de autoridades que tiveram participação ou conhecimento de fatos relacionados ao caso.
As investigações da PF visam esclarecer a relação do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com integrantes do sistema financeiro e servidores públicos. Há suspeitas de favorecimento dentro do próprio Banco Central, incluindo o possível repasse de informações sigilosas e uma atuação que teria beneficiado o banco liquidado. Essas suspeitas reforçam a complexidade do caso, que envolve também discussões internas no BC sobre a supervisão da instituição financeira e as decisões tomadas na ocasião da liquidação.
O Banco Master foi liquidado após a descoberta de um déficit bilionário, considerado um dos maiores casos de fraude financeira recente no Brasil. A apuração da Polícia Federal busca esclarecer os mecanismos que permitiram a ocorrência dessas fraudes, bem como possíveis irregularidades na atuação dos funcionários do BC envolvidos na supervisão do banco.
O depoimento de Galípolo integra uma etapa de investigação que busca entender as possíveis conexões entre as autoridades reguladoras, os participantes do sistema financeiro e os responsáveis pela gestão do Banco Master. Segundo relatos já prestados à PF, o caso também envolve discussões internas no Banco Central relacionadas à supervisão do banco e às decisões que levaram à sua liquidação, incluindo possíveis omissões ou favorecimentos que possam ter facilitado a ocorrência das fraudes.


