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Dólar atinge R$ 5,19 com alta do petróleo e juros nos EUA; Bolsa brasileira sofre queda

Dólar atinge R$ 5,19 com alta do petróleo e juros nos EUA; Bolsa brasileira sofre queda

Nesta quinta-feira, o dólar fechou em alta de 0,48% em relação ao real, cotado a R$ 5,19, refletindo um cenário de aversão ao risco nos mercados financeiros globais. Paralelamente, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o dia com uma queda de 0,99%, aos 183.900 pontos, após uma trajetória semelhante na véspera, quando registrou uma baixa de 0,86%, aos 185.800 pontos. Esses movimentos indicam um ambiente de maior cautela por parte dos investidores, influenciado por fatores internacionais e domésticos.

Nos mercados de câmbio e ações, o clima de risco elevado é alimentado por três principais elementos de tensão: o preço do petróleo, a perspectiva de aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e o cenário eleitoral no Brasil. Entre esses, o mais neutro em impacto nesta quinta-feira foi o processo eleitoral brasileiro, que, apesar de acompanhar o ritmo das campanhas, não contribuiu de forma significativa para a volatilidade do dia.

Quanto ao petróleo, os contratos futuros para novembro retomaram a trajetória de alta, após cinco sessões consecutivas de queda, marcando o segundo dia de valorização. O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 3,41%, atingindo US$ 106,60. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), utilizado como referência nos Estados Unidos, subiu 2,66%, para US$ 94,61 por barril. Essas altas ocorreram mesmo após notícias de negociações entre Estados Unidos e Irã, que discutem um acordo em etapas. Segundo informações, Teerã permitiria a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio econômico imposto pelos EUA, o que temporariamente freou a escalada dos preços do petróleo.

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — incluindo euro, iene e libra esterlina —, registrou um leve aumento de 0,13%, chegando a 101,26 pontos às 16h45. No cenário internacional, a atenção também se voltou para o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, cujas discussões sobre temas como comércio internacional e inteligência artificial geraram expectativas de novidades que possam influenciar os mercados globais.

Especialistas destacam que a alta do dólar e a queda nas bolsas estão relacionadas ao aumento da aversão ao risco, impulsionada por fatores externos. João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, explicou que o Ibovespa sofreu a pressão de uma nova alta nos títulos do Tesouro dos EUA, com o rendimento dos títulos de 10 anos atingindo o maior nível desde 2007. Segundo ele, esse movimento reflete uma economia americana forte, alimentada por declarações mais duras de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, que sinalizam possíveis novos aumentos nas taxas de juros. Essa perspectiva de aperto monetário provoca retração nos mercados emergentes, com ações de empresas como Vale, Petrobras e bancos registrando quedas que pressionaram o índice brasileiro.

Emerson Junior, da corretora Convexa, atribui a movimentação ao pessimismo externo, destacando que as bolsas globais recuaram devido às preocupações com a inflação e às expectativas de que o Federal Reserve possa adotar uma política monetária mais restritiva, impulsionada pelos preços elevados do petróleo. Segundo ele, os investidores permanecem cautelosos quanto ao impacto da energia cara na economia mundial.

No âmbito doméstico, o destaque foi o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado pelo Banco Central, que revisou para baixo as projeções de crescimento do PIB para 2026, de 2,0% para 1,8%, e para 2027, de 1,4%. O documento também apontou que o consumo das famílias perdeu força, contribuindo para as revisões. Quanto à inflação, o Banco Central estima que o IPCA de 12 meses ultrapassará 5,2% ao final deste ano, acima do teto da meta de 4,5%. A probabilidade de esse limite ser superado no último trimestre é avaliada em 90%.

O relatório também trouxe preocupações fiscais, elevando a projeção de déficit primário para 2026 de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões, antes das deduções previstas na regra fiscal, além de anunciar um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões. Na curva de juros, os contratos de DIs operaram em alta em todos os vértices, com maior intensidade na parte intermediária, refletindo o cenário de maior incerteza econômica e fiscal no país.

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