O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, declarou nesta quinta-feira, 17 de setembro, que o aumento no valor do benefício do Bolsa Família, anunciado pelo governo, não possui ligação com as próximas eleições presidenciais de 2026. Segundo ele, a decisão foi tomada de forma responsável e embasada em estudos e análises técnicas, seguindo rigorosamente as regras estabelecidas pela legislação vigente.
Wellington Dias destacou que o reajuste foi realizado com base na lei, que autoriza o presidente da República a promover recomposições nos benefícios de acordo com a inflação. Ele reforçou que o processo envolveu uma análise detalhada, levando em consideração tanto o cumprimento das normas legais quanto a responsabilidade fiscal do governo. “Tudo isso foi estudado, analisado, e estamos aqui cumprindo uma regra legal. A lei autoriza o presidente a dar uma recomposição da inflação. Foi feito com muita responsabilidade”, afirmou o ministro.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o valor mínimo do benefício passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, representando um reajuste de aproximadamente 15,2%. Este aumento visa ajustar o benefício à inflação acumulada desde o início do programa, que foi de 15,04% até agosto de 2026. O objetivo é manter o poder de compra dos beneficiários diante do aumento de preços, que tem impactado especialmente os setores mais vulneráveis da população.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, acrescentou que parte do remanejamento de recursos para o Bolsa Família será feito a partir de despesas previdenciárias. Ele afirmou que o reajuste busca refletir a inflação, garantindo que o benefício acompanhe a variação dos preços ao longo do período, de modo a preservar o valor real do benefício entregue às famílias em situação de vulnerabilidade social.
Por outro lado, a medida foi alvo de críticas por parte de lideranças políticas. O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, manifestou sua insatisfação por meio de um vídeo enviado à coluna Igor Gadelha. Ele afirmou que o aumento de R$ 91, anunciado pelo governo parece mais um gesto de “desespero” por parte do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e questionou a efetividade do reajuste diante do aumento dos preços no comércio, que, segundo ele, tornam o benefício insuficiente para cobrir as despesas básicas, como alimentação, devido à alta dos impostos e dos custos de vida.
Cavalcante também criticou o fato de Lula ter mantido o piso do benefício durante todo o mandato e só ter anunciado o reajuste às vésperas de um período eleitoral, sugerindo que a medida possa ter conotação eleitoral. A controvérsia evidencia o debate em torno da política de assistência social e das estratégias do governo para equilibrar a responsabilidade fiscal, o cumprimento das leis e as expectativas de uma parcela significativa da população que depende do benefício do Bolsa Família.


