Uma mulher de 29 anos, que alega ter sido vítima de abuso sexual por parte do próprio pai durante um período de 17 anos, procurou a polícia de Goiás para relatar as agressões sofridas. Ela revelou que, durante todo esse tempo, foi ameaçada de morte pelo suspeito para que não denunciasse os crimes, mantendo-se em silêncio por quase duas décadas. A vítima é mãe de quatro filhos, cujas idades variam entre 1 e 11 anos, e a Polícia Civil de Goiás (PCGO) investiga a possibilidade de que esses menores sejam fruto dos abusos, aguardando resultados de exames de DNA para confirmar a paternidade.
O suspeito, um homem de 55 anos, foi preso na última sexta-feira, dia 11 de setembro, na cidade de Anápolis, a aproximadamente 55 quilômetros de Goiânia. O indivíduo foi detido após as investigações que revelaram os anos de violência e abuso. Segundo informações da polícia, a vítima revelou que os abusos ainda aconteciam até pouco tempo antes de procurar ajuda, o que reforça a gravidade do caso e a necessidade de uma investigação aprofundada.
De acordo com a delegada Aline Lopes, responsável pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o homem negou as acusações durante o interrogatório. Ele se recusou a fornecer material biológico para realização de exames de DNA, além de não ter prestado declarações formais à polícia, limitando-se a afirmar que se manifestaria perante a Justiça. A delegada destacou ainda que o suspeito apresenta um perfil violento, agressivo e controlador, o que pode ter contribuído para o silêncio da vítima ao longo dos anos.
A expectativa da investigação é que os resultados dos exames de DNA sejam divulgados em aproximadamente um mês, o que deverá esclarecer a paternidade das crianças e reforçar a denúncia de abuso. Os filhos da vítima, que atualmente têm entre 1 e 11 anos, vivem em condições de vulnerabilidade social, dependendo exclusivamente da renda do suspeito, que trabalhava como caseiro em uma chácara onde funcionava uma casa de eventos em Anápolis.
Segundo o conselheiro tutelar Lídio, o suspeito adotava medidas de isolamento, impedindo que a filha saísse de casa para evitar contato com outras pessoas e, assim, dificultar a descoberta dos abusos. Ainda de acordo com Lídio, o homem também era responsável por levar e buscar as duas crianças mais velhas na escola, o que reforça o controle exercido sobre a rotina da família.
As investigações continuam em andamento, com o objetivo de esclarecer completamente o caso e garantir a responsabilização do suspeito. A polícia reforça a importância de denúncias e do combate à violência sexual, especialmente em casos envolvendo menores e familiares próximos.


