O ex-governador de Minas Gerais e atual candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou, em entrevista à CNN realizada nesta segunda-feira (27), que não houve favorecimento ou vantagem associada à doação de R$ 1 milhão feita pelo pai do empresário Daniel Vorcaro ao partido Novo durante as eleições de 2022. Naquele pleito, Zema foi reeleito governador de Minas Gerais. O político sustentou que a doação não visava beneficiá-lo pessoalmente e que o montante foi utilizado de acordo com a legislação eleitoral vigente.
Em tom de defesa, Zema desafiou que sejam investigadas eventuais vantagens concedidas à família Vorcaro durante o período eleitoral ou ao longo de sua gestão à frente do governo mineiro. Segundo o candidato, o dinheiro foi destinado ao partido por pessoas que acreditavam no projeto político da legenda, destacando que o Novo, em sua visão, representa uma agremiação de renovação com ficha limpa.
“Essa doação, como inúmeras outras, foi feita para um partido novo de Minas Gerais, por pessoas que acreditam em um projeto diferente, que já fez toda a mudança no estado, que só tem parlamentares ficha limpa e que nunca recebeu nenhuma doação em troca de fazer qualquer favorecimento ou ter qualquer vantagem”, afirmou, repetindo que não houve direcionamento da doação para sua pessoa.
O ex-governador também reiterou que teve conhecimento da doação apenas depois de começar a criticar contratos milionários envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O conjunto de contratos citado por Zema envolve, segundo ele, uma parceria de R$ 129 milhões entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro Alexandre de Moraes — e o Banco Master para a prestação de serviços de consultoria jurídica e regulatória. Em outra ordem de grandeza, haveria um contrato de R$ 35 milhões, cuja participação envolve, ainda de acordo com o ex-governador, o ministro Kassio Nunes Marques.
A linha de questionamento de Zema acompanha o tom de críticas já proferidas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que também levantou dúvidas sobre contratos envolvendo familiares de integrantes da Suprema Corte. A entrevista à CNN, portanto, situou-se no mesmo eixo de debates que marcam o cenário político atual, no qual pautas de transparência e eventual influência de vínculos familiares em contratos públicos ganham espaço no discurso de oposicionistas e adversários políticos.
O tema, que envolve a origem de recursos, a finalidade de doações a partidos e a eventual correspondência entre apoios financeiros e decisões administrativas, permanece sob escrutínio. A defesa de Zema sustenta que o aporte foi realizado por apoiadores que acreditam no projeto político do Novo e que a legislação eleitoral foi observada no uso dos recursos. Por outro lado, as investigações sobre contratos com familiares de autoridades do STF e o eventual impacto sobre decisões governamentais seguem sob análise de órgãos competentes, com impactos potenciais nas percepções públicas sobre integridade e governança.


