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Ministro da Fazenda critica candidatura de Flávio Bolsonaro e alerta para riscos do modelo argentino

Ministro da Fazenda critica candidatura de Flávio Bolsonaro e alerta para riscos do modelo argentino

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 8 de outubro, que o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), estaria vendendo uma ilusão ao mercado financeiro ao defender um modelo inspirado no adotado pelo presidente da Argentina, Javier Milei. Durigan também alertou que a campanha de Flávio não apresenta propostas concretas de ajuste fiscal, embora o mercado esteja reagindo positivamente ao discurso de endurecimento das regras econômicas, que ele considera uma resposta precipitada às demandas do setor financeiro.

Durigan, que também atua como porta-voz econômico da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou a tentativa de Flávio de replicar o modelo argentino, destacando que Milei, que assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, respondeu às pressões do mercado de forma ansiosa. Segundo o ministro, essa postura compromete a estabilidade da economia argentina, que enfrenta desafios como alta inflação e desequilíbrios fiscais. Em entrevista à CNN Brasil, Durigan explicou que o modelo adotado por Milei priorizou uma resposta rápida às demandas do mercado, mas sem considerar a sustentabilidade econômica de longo prazo, o que, na avaliação dele, não deve ser o caminho a ser seguido pelo Brasil.

Durigan reforçou que, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, não foram tomadas medidas efetivas de ajuste fiscal, mas sim ações como calotes em precatórios e aumento do déficit público. Ele destacou que a responsabilidade pela organização das contas públicas foi assumida pelo governo Lula, que, segundo ele, conseguiu reduzir o endividamento público, embora este aumento seja atribuído, principalmente, aos juros elevados, e não às políticas fiscais do governo. O ministro afirmou que o governo atual tem promovido uma gestão fiscal responsável, com medidas de contenção de despesas, incluindo o bloqueio de R$ 20 bilhões no orçamento de 2025 e a suspensão de R$ 16 bilhões neste ano.

Durigan também destacou que o governo tem adotado estratégias de corte linear de 10% nos benefícios tributários, visando maior previsibilidade e sustentabilidade fiscal. Ele afirmou que, durante a gestão do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), o Brasil conseguiu melhorias no grau de investimento e nas notas de crédito, além de alcançar equilíbrio nas contas públicas. Para o ministro, a tentativa de buscar estabilidade e previsibilidade na gestão de Flávio Bolsonaro não condiz com as ações de quem sempre defendeu mudanças estruturais e reformas para o país.

Por fim, Durigan criticou a postura de buscar soluções rápidas e pontuais, como a adoção de modelos inspirados em experiências externas, sem uma análise aprofundada dos riscos envolvidos. Ele reforçou que o Brasil precisa de uma estratégia de longo prazo, que considere o crescimento econômico, a geração de empregos e a sustentabilidade fiscal, ao contrário de respostas baseadas em ansiedade e promessas de medidas que podem comprometer a estabilidade do país.

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