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Minas Gerais registra aumento nos feminicídios e ocupa o segundo lugar no Brasil

Minas Gerais registra aumento nos feminicídios e ocupa o segundo lugar no Brasil

Minas Gerais se destacou como o segundo estado com o maior número de feminicídios no Brasil, com 177 casos registrados em 2025, conforme apontado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado na última quinta-feira (23). O estado ficou atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 270 mortes. Este aumento nos feminicídios ocorre em um contexto em que os homicídios femininos em geral apresentaram uma queda.

Os dados revelam que o número de feminicídios em Minas Gerais subiu de 169, em 2024, para 177 em 2025, representando um acréscimo de oito vítimas. A taxa de feminicídios no estado se manteve em 1,6 mortes para cada 100 mil mulheres, superior à média nacional de 1,4. Em comparação, Minas Gerais superou estados como Rio de Janeiro, que registrou 105 feminicídios, e Bahia, com 102.

Enquanto o total de homicídios femininos em Minas Gerais caiu de 350 em 2024 para 306 em 2025, uma redução de 12,9%, os feminicídios passaram a ter um peso maior nas estatísticas. Em 2024, os feminicídios representavam 48,3% do total de assassinatos de mulheres, enquanto em 2025 esse percentual subiu para 57,8%, indicando que quase seis em cada dez vítimas foram assassinadas por razões de gênero.

Este aumento nos casos de feminicídio coincide com um cenário alarmante de violência contra a mulher no estado em 2025. Entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 148 feminicídios consumados ou tentados, uma média de sete vítimas por semana, ou uma a cada 24 horas, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Na última semana, três casos de violência doméstica em Belo Horizonte chamaram a atenção. No bairro Palmares, um sargento da Polícia Militar foi preso em flagrante por suspeita de matar sua esposa, uma capitã da corporação. Ele alegou que a esposa havia sofrido uma queda de escada, mas as investigações revelaram lesões graves que contradizem sua versão. A prisão foi convertida em preventiva.

Em outro incidente, um homem foi detido no bairro Jonas Veiga após arremessar sua companheira do terceiro andar de um prédio, resultando em ferimentos que exigiram atendimento médico. O suspeito foi contido por testemunhas até a chegada da polícia e autuado por tentativa de feminicídio.

Além disso, um jovem de 24 anos confessou ter assassinado sua namorada, de 36 anos, no bairro Camargos. A mulher estava desaparecida há uma semana, e a família começou a desconfiar quando o suspeito passou a responder mensagens em seu nome. O corpo foi encontrado após vizinhos perceberem um odor forte vindo do imóvel.

O governo de Minas Gerais foi contatado para comentar os dados do Anuário e ainda não se manifestou. No cenário nacional, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, a maior marca já registrada, superando os 1.504 casos de 2024. Enquanto os homicídios femininos totais diminuíram 5,5% no país, a proporção de feminicídios aumentou de 40,3% para 44,4%.

O Anuário define feminicídio como o assassinato motivado pela condição de ser mulher, envolvendo violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação. O crime possui tipificação penal autônoma, com pena prevista de 20 a 40 anos de reclusão.

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