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Estudo associa uso prolongado de melatonina a aumento de risco de insuficiência cardíaca

Estudo associa uso prolongado de melatonina a aumento de risco de insuficiência cardíaca

Uma pesquisa preliminar apresentada em novembro de 2025 na conferência científica da American Heart Association revelou uma possível relação entre o uso prolongado de suplementos de melatonina e um aumento de 89% no risco de desenvolver insuficiência cardíaca ao longo de cinco anos. Os resultados indicam que adultos com insônia que utilizam o hormônio sintético por pelo menos um ano podem estar mais propensos a apresentar problemas cardíacos graves, incluindo maior incidência de internações e óbitos relacionados à condição. No estudo, os pesquisadores compararam registros de 65.414 indivíduos diagnosticados com insônia que fizeram uso de melatonina prescrita com o mesmo número de pessoas na mesma condição que não utilizavam o suplemento, observando o desenvolvimento de insuficiência cardíaca durante o período de acompanhamento.

A pesquisa destacou que, entre os cinco anos de monitoramento, foram registrados 3.021 novos casos de insuficiência cardíaca no grupo de usuários de melatonina, contra 1.797 no grupo de controle. A análise estatística apontou que o risco de desenvolver a condição foi 89% maior entre os consumidores do suplemento, o que reforça a necessidade de estudos mais aprofundados sobre os efeitos do uso prolongado do hormônio sintético no sistema cardiovascular. Os autores ressaltaram que, embora a associação seja significativa, o estudo não comprova que a melatonina seja a causa direta dos problemas cardíacos, uma vez que se trata de uma pesquisa observacional.

A melatonina, hormônio produzido naturalmente pelo cérebro, regula o ciclo sono-vigília e é amplamente utilizada como suplemento para facilitar o sono. Nos Estados Unidos, o suplemento pode ser comprado sem receita médica, o que possibilita o consumo sem acompanhamento profissional quanto à dosagem ou duração do uso. No entanto, a pesquisa analisou registros de prescrição, sem realizar entrevistas diretas com os participantes, o que significa que aqueles que adquiriram o suplemento de forma autônoma podem ter sido incluídos no grupo de não usuários, potencialmente influenciando os resultados.

O estudo também excluiu indivíduos que já apresentavam insuficiência cardíaca antes do início do acompanhamento, buscando focar em novos casos de doença. Os resultados levantam preocupações sobre a segurança cardiovascular do uso prolongado de melatonina, especialmente em adultos com insônia, condição bastante comum na população mundial. Os autores destacaram a necessidade de futuras investigações que possam avaliar de forma mais direta os efeitos do consumo contínuo do hormônio no sistema cardiovascular, com o objetivo de estabelecer recomendações mais seguras para o uso do suplemento.

Por enquanto, os dados reforçam a importância de que o uso de melatonina seja acompanhado por profissionais de saúde, sobretudo em tratamentos de longo prazo, para evitar possíveis complicações que possam surgir com o uso indiscriminado do suplemento.

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