O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, declarou nesta quinta-feira, 8 de outubro, que as relações entre os dois países encontram-se em seu estágio mais positivo desde o início dos intercâmbios diplomáticos. A afirmação foi feita durante um evento realizado no Rio de Janeiro, que comemorou a 6ª Temporada de Exibição de Obras Audiovisuais Chinesas no Brasil, organizado pelo China Media Group (CMG), uma entidade estatal chinesa. Segundo Zhu Qingqiao, o fortalecimento do vínculo bilateral ocorreu sob a orientação estratégica dos líderes máximos de ambos os países, que promoveram uma evolução significativa na cooperação diplomática, passando da condição de Parceria Estratégica Global para a formação de uma Comunidade de Futuro Compartilhado.
Durante o evento, que percorreu seis cidades brasileiras desde o dia 18 de setembro, foram exibidas 14 produções audiovisuais chinesas, incluindo filmes, séries e documentários. Essas obras integram atualmente o catálogo de plataformas de streaming chinesas que atuam no Brasil desde 2022, reforçando a presença da cultura chinesa na mídia digital brasileira. O diplomata destacou que esses conteúdos representam uma janela para a vida cotidiana na China e podem atuar como instrumentos de intercâmbio cultural, promovendo maior compreensão entre os povos.
Em sua fala por vídeo, Zhu Qingqiao também citou a importância de obras clássicas brasileiras na história cultural chinesa, exemplificando com a novela “A Escrava Isaura”, produzida na década de 1970. Segundo ele, a história da protagonista Isaura, na busca por liberdade e amor, conquistou milhões de espectadores na China e se tornou parte da memória afetiva de uma geração, ilustrando como o intercâmbio cultural entre Brasil e China é antigo e profundo.
O evento no Rio de Janeiro integra as celebrações do Ano Cultural Brasil-China 2026, uma iniciativa que visa fortalecer os laços culturais entre os dois países. Além disso, faz parte dos esforços do governo chinês, liderado pelo presidente Xi Jinping, de ampliar a influência do país no cenário internacional por meio do soft power — uma estratégia de influência cultural, econômica e diplomática, que evita o uso da força.
No último ano, Xi Jinping reforçou essa estratégia ao orientar o governo chinês a promover e implementar valores socialistas fundamentais, além de acelerar o desenvolvimento das indústrias culturais e ampliar o alcance da civilização chinesa. Essa orientação foi oficializada durante a quarta sessão plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh), que destacou a importância de consolidar a presença cultural chinesa no exterior como parte de uma política de fortalecimento da projeção internacional do país. Assim, a relação entre China e Brasil é vista como uma das mais sólidas na história recente, impulsionada por ações de intercâmbio cultural e estratégias diplomáticas de longo prazo.


