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Desembargador Newton Ramos afirma que operação da Polícia Federal em seu gabinete foi procedimento “natural e regular”

Desembargador Newton Ramos afirma que operação da Polícia Federal em seu gabinete foi procedimento “natural e regular”

O desembargador federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), declarou nesta quinta-feira (24 de setembro) que a operação realizada pela Polícia Federal (PF) em seu gabinete, sob determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi um procedimento “natural e regular”. A ação, uma correição extraordinária, tem como objetivo fiscalizar e auditar processos relacionados ao setor sucroalcooleiro, setor de grande relevância econômica e social no Brasil, e busca levantar informações específicas sobre processos que tramitam na sua jurisdição.

Segundo o próprio magistrado, a operação ocorreu sem qualquer irregularidade e não compromete sua atuação jurisdicional. Ramos afirmou que permanece no exercício de suas funções, julgando normalmente os processos sob sua responsabilidade, e que confia no trabalho desempenhado pela Corregedoria do CNJ. Em nota oficial divulgada pelo seu gabinete, o desembargador reforçou sua confiança na regularidade do procedimento e colocou-se à disposição para fornecer esclarecimentos e sanar quaisquer dúvidas relacionadas aos processos sob análise.

A operação foi conduzida na manhã desta quinta-feira, com os investigadores chegando ao gabinete de Newton Ramos às 15h52. A medida faz parte de uma apuração mais ampla conduzida pela Corregedoria do CNJ, que investiga processos envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro. A PF realiza diligências em computadores e documentos do gabinete, com o objetivo de verificar processos armazenados digitalmente e outros documentos pertinentes às investigações.

A investigação ganhou repercussão devido às mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Essas mensagens apontam a participação de Newton Ramos e de sua esposa, a advogada Camilla Ramos, na chamada “Turma do KN”, termo revelado por reportagens do portal Metrópoles. As mensagens indicam diálogos nos quais Newton repassa pedidos atribuídos ao ministro Kassio Nunes Marques, incluindo uma solicitação de hospedagem no Hotel Fasano, além de tratar do andamento de processos de interesse de Vorcaro relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro.

As mensagens também revelaram a existência de um contrato de advocacia avaliado em R$ 427 milhões, firmado entre Vorcaro e a “Turma do KN”. O valor do contrato, que seria pago em caso de êxito em ações judiciais, teria potencial para destravar aproximadamente R$ 8,5 bilhões em precatórios. A investigação indica que “KN” refere-se ao ministro Kassio Nunes Marques, e as conversas sugerem articulações envolvendo a contratação de advocacia para influenciar processos nos tribunais superiores.

A PF encaminhou o material obtido, incluindo o contrato e as mensagens, ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, em julho passado. A divulgação dessas informações gerou questionamentos por parte de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes, que solicitaram acesso à íntegra do material para análise. Mendonça, por sua vez, nega ter direcionado a investigação ou influenciado as mensagens.

Além disso, as mensagens revelaram uma articulação para a hospedagem de um “ministro” identificado como “KN” durante o Carnaval de 2025, em uma mansão no bairro do Joá, no Rio de Janeiro. A locação, avaliada em aproximadamente R$ 1,45 milhão, foi feita em uma propriedade pertencente ao ator Márcio Garcia. Essas revelações reforçam as suspeitas de possíveis contatos e ações que envolvem integrantes do Poder Judiciário e do Executivo, em um contexto de investigação que ainda está em andamento.

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