As críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG) ao Supremo Tribunal Federal (STF) aparecem como um possível empecilho para uma eventual aliança com o ex-ministro Joaquim Barbosa. Durante a convenção do Novo realizada nesta segunda-feira (27), Zema reforçou suas críticas à Suprema Corte, chegando a afirmar que “alguns ministros do STF” envergonham não apenas a instituição, mas o Brasil como um todo. Em suas palavras, o país “no setor público carece de bons exemplos” e, segundo ele, o STF tem apresentado o oposto, com “aberrações” que têm ocorrido no âmbito do tribunal.
O ex-governador mineiro citou ainda o atrito que teve com o ministro Gilmar Mendes, após este ter encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes um pedido para que Zema fosse investigado no inquérito das fake news. “Estou respondendo com orgulho ao processo do senhor excelentíssimo Gilmar Mendes”, disse Zema, ao justificar a exposição pública do embate com o magistrado. O comentário reafirma o tom combativo do ex-governador em relação a autoridades do STF, relacionamento que pode complicar tratativas com Barbosa, um dos nomes citados como possível companheiro de chapa.
Quanto à interlocução com Joaquim Barbosa, os primeiros sinais indicam que dirigentes da Democracia Cristã (DC), partido do ex-ministro, procuraram o Novo para sondar a viabilidade de uma coligação, ainda que Barbosa não tenha se decidido plenamente a participar da candidatura presidencial. A operação de aproximação ocorreu num contexto de diálogo entre legendas sobre alianças de curto e médio prazo em âmbito nacional, com a expectativa de mapear apoios e cenários eleitorais.
Ao conduzir a conversa com Barbosa, Zema manteve contato por telefone. A ligação, de duração curta — cerca de cinco minutos — foi avaliada por pessoas próximas ao ex-governador como positiva e animadora, sugerindo que há interesse em manter o diálogo com o ex-ministro do STF. O passo seguinte está previsto para a próxima semana, quando Zema deverá se encontrar pessoalmente com Barbosa. A viagem ao Rio de Janeiro, além de uma entrevista já agendada, abrira espaço para o reencontro com o magistrado, consolidando a possibilidade de uma cooperação entre as duas trajetórias políticas, pelo menos em nível de conversas formais.
Em entrevista coletiva realizada após a convenção do Novo, Zema tentou minimizar qualquer percepção de incompatibilidade entre ele e Barbosa, destacando uma avaliação favorável do ex-ministro sobre a atuação dele quando ocupava o STF. O ex-governador ainda reforçou que o Novo está dialogando com outras siglas, sem cravar um nome para a vice-presidência neste momento. A postura refletiu um cenário de costuras políticas ainda em estágio inicial, com o Novo buscando consolidar uma base de apoio diversa, ao mesmo tempo em que observa com cautela eventuais alianças que possam ampliar a viabilidade de uma candidatura própria ou de uma chapa competitiva no cenário nacional.
O desenrolar desses contatos ocorre em meio a um momento de alta sensibilidade institucional, com o STF sob escrutínio público e político. As declarações de Zema, aliadas ao interesse de Barbosa em eventuais entendimentos, apontam para um movimento estratégico de curto prazo do Novo e de coligações de centro-direita, que buscam ampliar o alcance eleitoral sem se comprometer com compromissos definitivos de alianças de longo prazo. Acontecimentos como esse costumam repercutir no radar político, influenciando decisões de outros partidos e componentes da oposição, sobretudo em um pleito em que a construção de palcos competitivos passa pela costura de lideranças com históricos relevantes no cenário público.


