Uma pesquisadora britânica de 30 anos conseguiu recuperar a capacidade de comunicação após receber uma prótese de língua artificial, um avanço realizado por uma equipe multidisciplinar do NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido. Imogen Brooks, que havia perdido quase toda a língua devido a um câncer, passou a falar com maior facilidade e clareza, o que impactou positivamente sua vida pessoal, acadêmica e profissional.
Imogen foi diagnosticada aos 26 anos com carcinoma de células escamosas, uma forma comum de câncer de cabeça e pescoço que pode afetar a língua. Após o diagnóstico, ela passou por uma cirurgia que retirou a maior parte do órgão, seguida de reconstrução com tecido de outra região do corpo. Apesar da melhora inicial na fala, a radioterapia subsequente provocou a redução do tecido reconstruído, dificultando a formação de palavras. Mesmo com acompanhamento fonoaudiológico intensivo, ela enfrentava dificuldades para ser compreendida, especialmente por desconhecidos, e dependia de tecnologia assistiva para comunicação por telefone.
As limitações na fala afetaram significativamente suas relações pessoais e sua trajetória profissional. Conhecidos e colegas evitavam conversas devido ao receio de não entenderem o que ela dizia, o que prejudicou sua autoconfiança e autonomia. Em depoimento divulgado pelo NHS, Imogen relatou que a dificuldade de fala teve um impacto profundo na sua qualidade de vida, destruindo sua confiança e autonomia no ambiente de trabalho.
Diante dessas dificuldades, a cientista buscou alternativas. Após leitura de artigos acadêmicos sobre próteses de língua, questionou os profissionais que a acompanhavam sobre a possibilidade de receber um dispositivo semelhante. A equipe do NHS, composta por especialistas em fonoaudiologia, odontologia restauradora e cirurgia oral, dedicou meses ao desenvolvimento do projeto. Foram realizados escaneamentos e testes com duas versões preliminares antes de chegar ao modelo final, que passou por ajustes com a participação direta de Imogen, que praticou sons e testou os protótipos em casa.
A prótese criada possui uma estrutura em forma de U, feita de cromo-cobalto, que se encaixa nos dentes inferiores e sustenta uma língua de silicone personalizada. Essa estrutura substitui parte do volume perdido e oferece uma superfície que auxilia na formação dos sons, sem se movimentar de forma independente como uma língua natural. Para sua adaptação, Imogen realizou exercícios e ajustes nos movimentos da boca e mandíbula, percebendo melhorias já após três dias de uso. Em duas semanas, ela afirmou estar praticamente adaptada ao dispositivo.
O impacto da prótese na vida de Imogen foi significativo. Ela conseguiu concluir seu doutorado em terapias para doenças de pele no King’s College London, além de conquistar um novo emprego como assistente de redação médica. A facilidade na fala permitiu conversas mais longas e menos cansativas, além de reduzir o esforço necessário para se comunicar. Um momento marcante ocorreu durante uma visita à avó, que possui dificuldades de audição, momento em que a comunicação entre as duas se tornou mais clara e natural, trazendo emoções à tona.
Atualmente, Imogen apresenta sinais de que o câncer está sob controle e, com a melhora na fala, retomou suas atividades profissionais e suas interações com familiares e amigos com maior confiança. Sua experiência evidencia a importância de avanços tecnológicos na reabilitação de pacientes com sequelas de câncer de cabeça e pescoço, demonstrando um caminho promissor para tratamentos personalizados e integrados.


