O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27/7) que Brasil e Coreia do Sul avançaram nas negociações para abrir o mercado sul-coreano às carnes brasileiras, com Seul se comprometendo a enviar uma missão sanitária ao Brasil ainda em agosto. A missão é apresentada como etapa decisiva para habilitar frigoríficos brasileiros a exportar ao mercado asiático. Lula ressaltou que, em 2025, o Brasil exportou quase 2,5 bilhões de dólares em produtos agropecuários para a Coreia, e que, após 17 anos de negociação, há agora um compromisso concreto de realização da missão sanitária, considerada fundamental para o acesso ao mercado coreano.
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, foi recebido por Lula na manhã desta segunda-feira, no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. O encontro ocorre cinco meses após a visita de Lula a Seul, quando foram anunciados acordos nas áreas de tecnologia e agricultura, além de um plano para ampliar a parceria bilateral entre 2026 e 2029. Segundo o Itamaraty, os dois chefes discutiram o fortalecimento da cooperação em áreas estratégicas, como semicondutores, minerais críticos e inteligência artificial, bem como a ampliação do comércio bilateral e o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado sul-coreano.
Progresso das negociações e o papel da missão sanitária
Durante a coletiva, Lula mencionou a criação de uma missão sanitária como passo decisivo para habilitar os frigoríficos brasileiros a exportar para a Coreia do Sul. A previsão é de que a missão ocorra em agosto, consolidando o avanço de longo prazo nas negociações que vinham se arrastando por quase duas décadas.
Contexto econômico e posição regional
De acordo com o levantamento do Itamaraty, a Coreia do Sul foi o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia em 2025 e o quinto principal destino das exportações brasileiras para a região. No ano anterior, o intercâmbio comercial entre os dois países somou US$ 10,8 bilhões. A Coreia do Sul ocupa a 19ª posição entre os maiores investidores estrangeiros no Brasil, evidenciando a importância estratégica da relação bilateral.
Dimensão cultural e educativa da relação
A aproximação entre Brasil e Coreia do Sul também ganhou destaque nas referências culturais. Lula destacou que a Coreia do Sul se consolidou como referência mundial em educação, inovação e desenvolvimento industrial, além de mencionar o crescente interesse dos brasileiros pela cultura sul-coreana. O presidente ressaltou que jovens brasileiros manifestam maior interesse pela língua coreana, com aumento de estudantes em universidades, centros culturais e institutos, além de popularidade de músicas, gastronomia e doramas. Ele mencionou ainda o sucesso das Guerreiras do K-Pop entre as crianças brasileiras.
O líder brasileiro comentou que o cinema sul-coreano desempenha papel importante na difusão de narrativas locais em nível global. Ele lembrou que a primeira-dama Janja da Silva e a primeira-dama sul-coreana Kim Hye-kyung participarão, em São Paulo, de uma sessão especial da Mostra de Cinema Coreano no Brasil. Segundo Lula, o cinema coreano contribui para ampliar o alcance universal das produções locais.
Ao fim da declaração, Lula e Lee Jae Myung posaram para fotos, fazendo o tradicional gesto do “coração coreano”, com o cruzamento do polegar e do indicador para formar um coração.
Acordos e cooperação em diferentes setores
Além das perspectivas comerciais, Brasil e Coreia do Sul assinaram cinco memorandos de entendimento para ampliar a cooperação bilateral em áreas como espaço, esporte, educação, energia, tecnologia e indústria. Os acordos preveem intercâmbio de especialistas, compartilhamento de experiências e o desenvolvimento conjunto de projetos.
No espaço, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Administração Espacial da Coreia do Sul firmaram um memorando para ampliar a cooperação na exploração e no desenvolvimento de atividades espaciais com fins pacíficos. No campo esportivo, foi firmado um memorando de cooperação voltado ao intercâmbio de atletas e especialistas, bem como à troca de experiências em políticas públicas para diferentes modalidades. Em educação, o acordo prevê o compartilhamento de experiências em políticas educacionais e a aproximação entre instituições de ensino dos dois países para ampliar a cooperação acadêmica. Outro memorando estabelece cooperação no setor de energia, com foco em biocombustíveis e transição energética. Por fim, o acordo sobre tecnologia e indústria visa fortalecer iniciativas conjuntas de pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicadas ao setor industrial.


