Mateus Simões, identificado como o principal afilhado político de Romeu Zema (Novo), o governador de Minas Gerais, não comparecerá à convenção nacional do Novo, marcada para ocorrer em Brasília nesta segunda-feira (27). O evento terá como objetivo formalizar a pré-candidatura do ex-governador à Presidência da República. A assessoria de imprensa de Simões informou que a ausência se deve a um “compromisso pessoal, que já estava estabelecido anteriormente”.
A ausência de Simões ocorre em meio a um ambiente de desconfiança crescente dentro do Novo, especialmente na executiva nacional, em relação ao acordo firmado entre PSD e Novo em Minas Gerais. O temor é de que o afilhado político de Zema possa romper o pacto segundo o qual o Novo definiria o vice na chapa do Governo de Minas. O núcleo de Zema, no entanto, tem reiterado que não há qualquer intenção de desfazer o acordo, uma posição defendida publicamente pelo próprio ocupante do Palácio Tiradentes.
Para a coluna Poder em Minas, o presidente do Novo em Minas Gerais, Christopher Laguna, afirmou que não há desconforto com a ausência de Simões na convenção. “A convenção são 59 delegados, ela é híbrida e fechada, igual a nossa estadual, depois terá uma coletiva de imprensa. Não causa conflito nenhum, Mateus é querido aqui e entendemos que ele tem que acelerar em Minas”, disse Laguna, transmitindo a percepção interna da sigla no estado.
Contexto do acordo entre PSD e Novo em Minas Gerais
O conjunto de medidas que envolve o relacionamento entre PSD e Novo em Minas tem sido objeto de atenção dentro do setor político. O acordo citado refere-se a uma construção futura sobre a composição da chapa majoritária, com a definição do nome que ocuparia o posto de vice na chapa do governo mineiro. A leitura comum entre observadores é de que esse tipo de entendimento busca preservar alianças regionais estratégicas para as duas siglas, ainda que enfrente escrutínio de lideranças nacionais, que acompanham com cautela os desdobramentos políticos no estado.
Dentro do Palácio Tiradentes, a avaliação é de que manter o acordo com o antecessor é fundamental para a estabilidade da gestão, especialmente no contexto de negociações amplas que envolvem partidos aliados e possíveis apoios para a corrida presidencial. A afirmação de que não há ruptura prevista sinaliza, na visão dos interlocutores, que o contato entre as estruturas regionais do Novo e do PSD permanece ativo, mesmo diante da ausência de Simões na convenção que oficializará a pré-candidatura do ex-governador.
O que esperar da convenção
A assembleia de Brasília, com 59 delegados, é descrita pela legenda como um encontro híbrido e fechado, que deverá culminar em uma coletiva de imprensa para detalhar os próximos passos do processo de candidatura. A presença de representantes de diferentes estados é vista como parte do ritual de consolidação de alianças para as próximas etapas do pleito, com o foco na definição de palanques estaduais e nas indicações de nomes que integrarão as chapas. Em Minas, a leitura dominante envolve a continuidade da agenda de cooperação entre as siglas, mesmo com ausências pontuais que, segundo interlocutores do Novo, não devem impedir o andamento das tratativas já em curso.
Ao longo desta segunda-feira, o tom oficial tem sido de contenção e preciso, mantendo o foco na formalização da pré-candidatura do ex-governador e na demonstração de unidade institucional entre as legendas envolvidas, ao menos no que concerne às diretrizes de alianças plasmadas para o estado mineiro. A expectativa de que as negociações permaneçam estáveis é destacada por dirigentes que enfatizam a importância de manter compromissos firmados, independentemente de eventuais ausências relevantes em eventos nacionais.


