Durante a convenção nacional do Partido Novo em Brasília (DF), nesta segunda-feira (27/7), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema oficializou sua candidatura à Presidência da República pelo Novo e apresentou medidas de segurança pública que preveem a criação de um presídio de referência isolado na região amazônica, destinado aos líderes de facções criminosas no Brasil. Em seu discurso, Zema afirmou que, caso seja eleito, vai adotar a política dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas como terroristas e enviará seus chefes para um regime de isolamento em uma prisão remota, com a função de “mofar” por pelo menos 25 anos.
“Vou enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas. Vamos construir um super presídio de referência num lugar remoto no meio da Amazônia, para onde todos esses líderes vão ser encaminhados e vão mofar por pelo menos 25 anos”, declarou o candidato, ao defender a adoção de um marco legal semelhante ao utilizado por autoridades internacionais para clasificar e tratar organizações consideradas extremistas.
A fala sobre soberania nacional foi integrada ao discurso de Zema, que também afirmou acreditar que o Brasil perde soberania ao não ter classificado as facções como terroristas. Em suas palavras, o ex-governador argumentou que o país deveria ter adotado esse enquadramento há muito tempo, sugerindo que o modelo adotado por outros países seria um referencial para a política nacional. “Eu quero que o Brasil retome a soberania que nós estamos perdendo. Tem gente falando aí que está perdendo a soberania porque os Estados Unidos enquadraram as organizações, facções criminosas como terroristas. O Brasil é que já deveria ter feito isso há muito tempo”, afirmou.
A oficialização da candidatura ocorreu no âmbito da convenção nacional do Novo, com a participação do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, e do senador Eduardo Girão ao lado de Zema. A cerimônia de lançamento confirmou o mineiro como candidato à Presidência, ainda sem definição de um vice para compor a chapa. O material divulgado pela campanha destacou que Zema foi apresentado como candidato ao Planalto, integrando, além dele, o espaço ocupado por figuras políticas ligadas ao Novo, que buscam consolidar a candidatura em meio a um cenário eleitoral caracterizado por debates acentuados sobre segurança pública e políticas de combate à criminalidade.
Ao longo do pronunciamento, o ex-governador manteve o tom de defesa de políticas de endurecimento no enfrentamento à criminalidade, articulando uma linha dura que vincula a atuação de facções criminosas à necessidade de medidas enérgicas e de reorganização institucional para recuperar a soberania nacional. A proposta de um “super presídio” remoto, situada na região amazônica, figura como uma peça central de seu discurso de campanha, sugerindo uma solução drástica para a gestão de lideranças de organizações criminosas, com a justificativa de isolar e punir com severidade por um longo período.
Contexto político de lançamento e próximos passos
O evento de oficialização ocorreu em um momento de disputa entre candidaturas de diferentes espectros ideológicos, com o Novo apresentando Zema como uma de suas apostas para o Palácio do Planalto. A presença de Eduardo Ribeiro, presidente do partido, e de Eduardo Girão, senador, reforça a estratégia do Novo de consolidar a candidatura de figuras associadas a propostas de reformas conservadoras em áreas como segurança pública e governança. A fala de Zema, no entanto, também gerou atenções sobre a ideia de deslocar líderes de facções para um presídio remoto na Amazônia, tema que pode suscitar debates sobre direitos humanos, adequação legal e viabilidade prática de políticas de encarceramento extremo.
O ex-governador de Minas Gerais, que já foi governador anteriormente, foi apresentado ao público como uma liderança capaz de ampliar o alcance do Novo no cenário nacional. A perspectiva de um vice ainda não definida para compor a chapa de Zema é mencionada pela própria campanha, sinalizando que a definição de palanque e alianças ainda está em fases iniciais, com vistas a consolidar uma plataforma única para as eleições.


