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Agiota é preso após vídeo que mostra espancamento e ameaças a mulher que trabalha na prostituição em Belo Horizonte

Agiota é preso após vídeo que mostra espancamento e ameaças a mulher que trabalha na prostituição em Belo Horizonte

Um caso que envolve violência, intimidação e cobrança de dívidas coloca em evidência um esquema de agiotagem praticado por um homem identificado como Pedro Henrique Coelho de Souza, conhecido como “PH”. Ele foi preso pela Polícia Civil de Minas Gerais na manhã desta segunda-feira (27/7), após a divulgação de imagens que registram agressões e ameaças contra uma mulher que trabalha na prostituição em Belo Horizonte. A vítima não seria a única atingida pelas ações do suspeito, que atuava na região central da capital.

Nas imagens, o suposto agiota aparece agredindo a mulher dentro de um quarto de hotel situado na Rua Guaicurus, no Centro de Belo Horizonte. A gravação mostra a vítima sentada sobre a cama enquanto recebe tapas, socos e chutes. Durante toda a sequência, o agressor emite ameaças de morte e cobra uma dívida de aproximadamente R$ 10 mil. Em um dos trechos, ele exige o pagamento de R$ 2 mil até o dia seguinte e repete, de forma reiterada, que vai matar a vítima caso a cobrança não seja quitada.

Segundo apuração exclusiva da RECORD Minas, o próprio agressor publicou as imagens em seu perfil nas redes sociais. Contudo, a gravação não está completa: a pessoa que teve acesso à publicação e gravou a tela interrompeu o registro quando não conseguiu continuar assistindo às cenas de violência. O registro parcial, portanto, não revela todo o desenrolar da agressão, mas deixa claro o caráter intimidatório do uso da violência para cobranças de dívida.

A ação ocorreu em um hotel da Rua Guaicurus, região conhecida por concentrar casas de prostituição. Conforme relatos colhidos pela reportagem, o agiota atuava justamente nesse local, oferecendo empréstimos às mulheres que trabalham na área e recorrendo a violência e intimidação para cobrar os valores emprestados. Testemunhas afirmam que, após a divulgação do vídeo, várias profissionais do sexo passaram a viver com medo. Uma delas descreveu o ambiente como coagido, com receio de novas agressões ou da circulação de vídeos semelhantes.

Outra testemunha relatou que, ao deixar o quarto, a vítima ficou em estado de choque. Conforme o relato, ela não gritou nem pediu ajuda no momento do ataque e permaneceu em silêncio até que o vídeo começou a circular nas redes sociais dias depois. Uma semana após o episódio, uma mulher procurou a equipe de reportagem para denunciar a situação. Embora não tenha sido vítima direta do agiota, ela reuniu vídeos, fotografias e áudios que, segundo ela, comprovam ameaças e episódios de violência contra outras mulheres. Todo o material foi encaminhado à Polícia Civil, que abriu investigações.

Além das imagens de espancamento, o suspeito também teria publicado uma fotografia exibindo três armas de fogo. Em um dos áudios obtidos pela reportagem, ele ameaça torturar e matar uma das mulheres e afirma que os filhos desta vítima “vão crescer sem mãe”. Não há informações, até o momento, sobre o paradeiro dessa outra mulher. Segundo testemunhas, o comportamento do agiota tornou-se progressivamente mais violento, chegando a divulgar vídeos em que entra em residências para retirar objetos de devedores, com o objetivo de espalhar medo entre as mulheres que contrataram empréstimos.

A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso. Conforme apurado pela reportagem, Pedro Henrique Coelho de Souza possui antecedentes criminais, com a passagem mais recente pelo sistema prisional ocorrendo em 2025, quando foi preso pelo crime de receptação. As investigações devem esclarecer as agressões, as ameaças e a possível prática de outros crimes relacionados à atuação do suspeito.

Crimes, Polícia Civil e violência são temas centrais neste caso, que envolve também o uso de plataformas de redes sociais para gravar e divulgar violência contra mulheres em situação de vulnerabilidade. As apurações ainda precisam esclarecer a extensão do esquema de cobrança de dívidas por meio de violência e se há outras vítimas além da mulher que aparece nas imagens, bem como o destino dos materiais gravados e divulgados. O andamento do inquérito determinará se houve participação de terceiros e quais medidas poderão ser tomadas para oferecer proteção às profissionais do sexo na região.

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