O Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte, recebe a partir desta sexta-feira (6) a exposição coletiva “A Foz do Contato”, organizada com obras de quatro artistas do coletivo Memória de Peixe. A abertura será realizada às 19h, com entrada gratuita. A mostra permanece aberta ao público até 6 de dezembro e tem classificação indicativa livre.
A exposição reúne trabalhos da artista visual Ana Luiza Maia dos Santos, do artista visual Gabriel Duarte Lauriano, da artista visual Heloísa Brabo e do ilustrador, quadrinista e fotógrafo Yuri Alves. Embora utilizem linguagens e técnicas diferentes, os artistas partem de um eixo comum: a análise das relações entre a humanidade e o ambiente natural.
Entre os recursos empregados nas obras estão a cerâmica, a pintura e a fotografia. A variedade de materiais e formatos permite que a mostra desenvolva o tema por diferentes perspectivas, relacionando elementos concretos, como a matéria e a paisagem, a aspectos ligados à memória, à presença humana e às formas de vida que dependem dos ecossistemas.
As águas ocupam o centro da proposta curatorial de “A Foz do Contato”. Rios e outras fontes de água são apresentados como espaços associados à construção de memórias, à formação de territórios e à existência de diferentes espécies e comunidades. A partir dessa abordagem, a exposição discute a maneira como a água participa de experiências individuais e coletivas e influencia a relação das pessoas com os lugares onde vivem.
O tema também é tratado a partir das ameaças que atingem os rios e demais reservas de água no Brasil. As obras estabelecem uma ligação entre os impactos sofridos por esses recursos e as práticas de preservação e resistência desenvolvidas por populações indígenas, afro-brasileiras e ribeirinhas.
Ao destacar esses grupos, a mostra ressalta o papel desempenhado por diferentes comunidades na defesa dos territórios e na continuidade de modos de vida relacionados às águas. A preservação, nesse contexto, aparece associada tanto ao cuidado com os recursos naturais quanto à proteção de memórias, vínculos comunitários e formas específicas de ocupação dos espaços.
Peixes, paisagens, alimentos e corpos estão entre os elementos utilizados pelos artistas para construir uma reflexão sobre a interdependência entre as pessoas e o meio ambiente. A proposta não trata a natureza como uma realidade isolada da vida social. Ao contrário, evidencia as relações de troca e dependência que conectam indivíduos, comunidades, territórios e ecossistemas.
A combinação de cerâmica, pintura e fotografia amplia as possibilidades de leitura da exposição. Cada técnica oferece uma maneira particular de abordar a matéria, a paisagem, a memória e a presença humana. A diversidade de linguagens também expressa as diferentes formas encontradas pelo coletivo Memória de Peixe para tratar de questões ambientais e sociais.
Ao reunir trabalhos orientados por referências ligadas à água e às formas de vida que dela dependem, “A Foz do Contato” aproxima produção artística, preservação ambiental e memória. A mostra propõe ao público uma reflexão sobre as consequências das ameaças aos recursos hídricos no Brasil e sobre as estratégias de resistência e cuidado construídas por populações indígenas, afro-brasileiras e ribeirinhas.
A exposição pode ser visitada no Centro Cultural UFMG até 6 de dezembro. A entrada é gratuita, e a classificação indicativa é livre.


