Um suplemento nutricional que combina vitaminas, minerais, aminoácidos e compostos de plantas foi associado à melhora de indicadores da saúde vascular após seis meses de uso. O resultado foi observado em um ensaio clínico realizado por pesquisadores da Universidade de Surrey, no Reino Unido, e publicado na terça-feira (4/11) na revista European Heart Journal Open.
A pesquisa avaliou o NOVOS Core, uma fórmula desenvolvida para atuar simultaneamente em diferentes processos biológicos relacionados ao envelhecimento. Participaram do estudo 61 pessoas. Dessas, 33 receberam o suplemento diariamente, enquanto 28 tomaram placebo, substância sem os componentes ativos da fórmula.
Ao fim de seis meses, o grupo que recebeu o suplemento apresentou melhora na função dos vasos sanguíneos, redução da rigidez arterial e diminuição da pressão arterial sistólica. Esse indicador corresponde ao número mais alto registrado durante a medição da pressão e representa a força exercida pelo sangue contra as paredes das artérias quando o coração se contrai.
Melhora na dilatação dos vasos
Entre os parâmetros analisados estava a dilatação mediada pelo fluxo, um exame usado para verificar a capacidade de expansão dos vasos sanguíneos diante do aumento do fluxo de sangue. Segundo os pesquisadores, o desempenho nesse teste melhorou entre os participantes que receberam o NOVOS Core.
A resposta vascular também foi identificada em uma avaliação realizada uma hora depois da primeira dose. O achado sugere que alterações na função dos vasos puderam ser observadas tanto no início do acompanhamento quanto após o uso contínuo do suplemento, embora o estudo não estabeleça, por si só, os mecanismos responsáveis por esse efeito.
A pressão arterial sistólica apresentou uma diferença de 6,1 mmHg entre os dois grupos depois de seis meses, com resultado favorável aos participantes que tomaram a fórmula. A pesquisa também registrou redução da rigidez das artérias.
Para avaliar esse aspecto, os cientistas utilizaram a velocidade da onda de pulso, medida que indica a rapidez com que a pressão se desloca pelos vasos sanguíneos. Velocidades menores são interpretadas como sinais de maior flexibilidade arterial.
Resultados não incluíram redução do colesterol
Os exames laboratoriais não mostraram mudanças significativas nos níveis de colesterol nem em outras gorduras presentes na circulação sanguínea. Dessa forma, as alterações observadas na função e na flexibilidade dos vasos não foram acompanhadas por uma redução dessas substâncias.
Christian Heiss, professor de medicina cardiovascular da Universidade de Surrey, afirmou que o objetivo era verificar se a atuação conjunta sobre diferentes processos relacionados ao envelhecimento poderia produzir mudanças mensuráveis na saúde cardiovascular.
“Observamos alterações favoráveis na função endotelial, na rigidez arterial e na pressão arterial sistólica após seis meses. Esses resultados são encorajadores. Agora, precisamos de estudos maiores para entender os mecanismos envolvidos”, disse o pesquisador.
A equipe também calculou o risco cardiovascular estimado para os dez anos seguintes. Houve uma redução discreta nessa projeção entre os participantes que receberam o suplemento, principalmente em razão da queda registrada na pressão arterial sistólica.
Os autores, no entanto, ressaltam que a pesquisa analisou biomarcadores e medidas relacionadas ao funcionamento dos vasos, e não a ocorrência de infartos, acidentes vasculares cerebrais ou mortes por doenças cardiovasculares. Por isso, os resultados não comprovam que o suplemento seja capaz de prevenir esses eventos ou aumentar a expectativa de vida.
Os pesquisadores defendem a realização de estudos com um número maior de participantes e acompanhamento mais prolongado. Essas novas investigações deverão verificar se as mudanças observadas permanecem ao longo do tempo e se podem resultar em benefícios concretos para a saúde cardiovascular.


