Correio Divinopolitano

Polícia Civil investiga mortes de dois motociclistas durante temporais em Belo Horizonte

Polícia Civil investiga mortes de dois motociclistas durante temporais em Belo Horizonte

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga as mortes de dois motociclistas ocorridas durante temporais em Belo Horizonte. As autoridades apuram as circunstâncias dos casos e ainda não confirmam se as ocorrências podem ser consideradas as primeiras mortes relacionadas ao período chuvoso na capital, iniciado em outubro. Além das vítimas, as fortes chuvas provocaram alagamentos, quedas de árvores, danos em imóveis e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Motociclista morreu após ser arrastado por enxurrada

O caso mais recente ocorreu na noite de segunda-feira (2), na Rua Joaquim Corrêa de Aquino, no bairro Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte. João Lucas Ricardo de Jesus Rodrigues da Cruz, de 23 anos, morreu após ser arrastado pela enxurrada. O corpo ficou parcialmente preso dentro de um bueiro e precisou ser retirado pelo Corpo de Bombeiros.

De acordo com a Polícia Militar, outros motociclistas que passavam pelo trecho tentaram ajudar o jovem, mas o nível da água subiu rapidamente. Testemunhas informaram que ele teria tentado atravessar a rua alagada. O capacete foi localizado a alguns metros do ponto onde o corpo foi retirado, enquanto a motocicleta ficou danificada entre os entulhos carregados pela força da água.

Em nota divulgada nesta terça-feira (3), a Polícia Civil informou que a perícia esteve no local para reunir elementos que possam esclarecer o caso. As causas e as circunstâncias da morte serão investigadas. O corpo foi submetido a exames de necropsia, reconhecido e seria liberado aos familiares.

Também nesta terça-feira, equipes da Prefeitura de Belo Horizonte trabalharam na limpeza das bocas de lobo do bairro Camargos. As estruturas ficaram obstruídas por folhas, galhos e outros materiais levados pela enxurrada.

Moradores afirmam que os alagamentos são frequentes na região. Embora o trecho conte com sete bocas de lobo e uma galeria de grande porte para escoamento da água, a estrutura não tem sido suficiente para impedir o acúmulo durante os temporais.

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que tem um projeto para ampliar a capacidade de drenagem do local. A proposta prevê intervenções na Rua Joaquim Corrêa de Aquino e em vias próximas. Segundo o órgão, o projeto passa por revisão técnica em razão das mudanças na ocupação da região.

Outro motociclista morreu após descarga elétrica

A Polícia Civil também apura a morte de Sandro Henrique Caetano de Jesus, de 32 anos, que trabalhava como motociclista de aplicativo. O acidente ocorreu durante o temporal de 25 de outubro, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul da capital.

Sandro passava pela Rua Professor Magalhães Drumond quando entrou em contato com a fiação elétrica depois que um cabo de energia se rompeu. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado ao Hospital João XXIII. Apesar do atendimento, não resistiu.

Na terça-feira (3), familiares e amigos fizeram uma motociata para cobrar esclarecimentos e assistência da Cemig. O grupo saiu do bairro Alto Vera Cruz, passou pelo local do acidente e seguiu até a sede da companhia, no bairro Santo Agostinho.

Os familiares afirmam que não receberam a assistência necessária da empresa. Sandro deixou três filhos, entre eles um bebê de cinco meses. Em nota, a Cemig lamentou a morte, informou que entrou em contato com os parentes e declarou que continua apurando o ocorrido. A companhia ressaltou que o acidente aconteceu durante uma tempestade severa, que causou quedas de árvores, rompimento de cabos e danos à rede elétrica.

A Defesa Civil de Belo Horizonte informou que acompanha as investigações e que ainda não é possível confirmar se a morte de Sandro foi a primeira relacionada ao período chuvoso na capital.

Árvore centenária caiu sobre cinco casas

O temporal de segunda-feira também causou danos em outras áreas de Belo Horizonte. No Quilombo dos Luízes, no bairro Grajaú, região Oeste, um jatobá centenário caiu sobre cinco casas. A árvore atingiu diferentes cômodos dos imóveis e deixou moradores sem energia elétrica.

O tronco ficou atravessado no caminho e dificultou a saída dos moradores, que precisaram passar por baixo da estrutura para deixar o local. Segundo relatos, o risco de queda já havia sido comunicado à Prefeitura de Belo Horizonte. Os moradores afirmam que o acidente poderia ter sido evitado.

Depois da queda, o Corpo de Bombeiros orientou os moradores a procurar outro lugar para passar a noite. Na terça-feira, equipes da corporação iniciaram os trabalhos de poda e retirada da árvore.

O Quilombo dos Luízes foi criado em 1895 e reconhecido como comunidade remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 2005. Atualmente, 68 famílias vivem no território, que também é reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Belo Horizonte.

Chuva provocou alagamentos, granizo e falta de energia

A tempestade que atingiu Belo Horizonte entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça-feira foi acompanhada por granizo, raios e trovões. Moradores registraram a queda de pedras de gelo no Barreiro e em Ibirité, na Região Metropolitana. No bairro Sagrada Família, na região Leste da capital, vídeos mostraram a ocorrência de relâmpagos durante a chuva.

Segundo a Defesa Civil, entre 18h45 de segunda-feira e 1h de terça-feira, a região Oeste acumulou 44,2 milímetros de chuva. O volume corresponde a 18,7% da média climatológica prevista para todo o mês de novembro.

Durante o temporal, o órgão enviou nove alertas preventivos aos celulares da população. As mensagens orientavam sobre os riscos de enxurradas, alagamentos e granizo.

A chuva também interrompeu o fornecimento de energia elétrica em diferentes pontos da cidade. Conforme a Cemig, cerca de 400 clientes ainda estavam sem luz na manhã de terça-feira. A empresa informou que não havia ocorrências críticas e previa normalizar o serviço ao longo do dia.

O Corpo de Bombeiros recebeu 14 chamados relacionados às chuvas em Belo Horizonte. Em todo o estado, foram registradas 102 ocorrências no período de 24 horas.

A Defesa Civil orienta a população a não tentar atravessar ruas alagadas, evitar abrigo sob árvores durante tempestades e procurar locais seguros ao identificar sinais de risco.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *