Correio Divinopolitano

Operação da Polícia Federal investiga relação entre desembargador Newton Ramos, a “Turma do KN” e casos envolvendo o Banco Master

Operação da Polícia Federal investiga relação entre desembargador Newton Ramos, a “Turma do KN” e casos envolvendo o Banco Master

Uma operação da Polícia Federal, determinada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi realizada nesta quinta-feira, 24 de setembro, visando apurar supostas irregularidades envolvendo o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A investigação se fundamenta em mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que indicam contatos do magistrado com pessoas ligadas ao Banco Master e fazem referência à denominada “Turma do KN”. Essas mensagens revelam uma possível relação entre o desembargador e o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também trabalhou com Newton Ramos no TRF-1, entre 2018 e 2020, quando Nunes Marques era vice-presidente do tribunal e Newton atuava como juiz auxiliar.

A revelação do caso veio à tona por meio da coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles. Segundo as mensagens apreendidas, Newton Ramos teria intermediado hospedagens e acessos a eventos para pessoas vinculadas ao grupo do ex-banqueiro Vorcaro. Em uma dessas conversas, o desembargador aparece tratando de um pedido de hospedagem de uma pessoa identificada como “KN”, o que reforça a suspeita de uma relação próxima com o ministro Kassio Nunes Marques. Nunes Marques, por sua vez, nega qualquer envolvimento ou que tenha feito pedidos a Vorcaro, além de afirmar que nunca autorizou Newton ou qualquer outra pessoa a falar em seu nome.

A investigação também aponta uma conexão entre Newton Ramos e a mulher dele, a advogada Camilla Ramos. O escritório de advocacia dela firmou contrato com o Banco Master para atuar em 12 processos relacionados a precatórios de interesse de Vorcaro. Esses processos envolviam créditos que poderiam alcançar o valor de R$ 8,5 bilhões, com honorários de êxito de 5% sobre os valores obtidos, o que poderia resultar em uma remuneração de até R$ 427 milhões caso todo o montante fosse liberado. Para alcançar esse objetivo, Vorcaro buscava acelerar julgamentos e influenciar decisões de juízes, incluindo integrantes da Segunda Turma do STF, onde uma decisão seria determinante para o andamento de outros processos envolvendo os precatórios de usinas de açúcar.

As mensagens apreendidas no celular de Vorcaro também indicam que a esposa do desembargador Newton Ramos participou de conversas relacionadas à “Turma do KN”. Nelas, ela comemora o voto de Kassio Nunes Marques em um julgamento importante, no qual Nunes Marques, embora inicialmente declarado impedido, mudou de posição e votou a favor do reconhecimento do débito. Outros ministros, como Dias Toffoli e Edson Fachin, votaram de maneira favorável, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça discordaram, levando à decisão favorável ao banco. Além disso, as mensagens revelam que Nunes Marques alterou sua posição no julgamento, o que teria sido acompanhado de perto por membros do grupo de Vorcaro.

Em sua defesa, Newton Ramos esclarece que a Corregedoria do CNJ realizou uma correição extraordinária em seu gabinete para levantar informações sobre processos do setor sucroalcooleiro. O desembargador afirma que continua no pleno exercício de suas funções e que confia na regularidade do procedimento conduzido pelo órgão de fiscalização. Ele também se colocou à disposição do CNJ para prestar esclarecimentos adicionais, reforçando sua intenção de colaborar com as investigações e esclarecer quaisquer dúvidas relacionadas aos fatos.

A investigação, que ainda está em andamento, busca esclarecer a extensão da relação entre o desembargador, o ministro Nunes Marques, o ex-banqueiro Vorcaro e os processos envolvendo o Banco Master, especialmente no contexto de decisões judiciais e possíveis influências no andamento de casos de grande valor econômico.

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