O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando a possibilidade de lançar ataques de grande escala contra o Irã, mas ainda não tomou uma decisão sobre os próximos passos da guerra que permanece em curso há quase cinco meses. A confirmação foi feita em uma coletiva nesta sexta-feira (24), em meio a um contexto regional cada vez mais volátil, com ataques da Arábia Saudita contra os rebeldes Houthis que alimentam o temor de uma expansão do conflito.
Trump sinalizou que poderia adiar uma operação de maior envergadura no momento, alegando que Teerã vem levando as negociações com Washington “a sério” e que o timing não seria propício para uma ofensiva importante. “Eles estão ficando cada vez mais sérios com o passar dos dias, talvez pelo motivo óbvio”, avaliou o presidente, sugerindo que as conversas abertas com os Estados Unidos influenciam a decisão sobre eventuais ações militares.
O mandatário ressaltou que a linha vermelha para o Irã seria a proximidade de desenvolver uma arma nuclear. Em sua visão, Teerã terá de escolher entre manter um acordo diplomático vigente ou enfrentar “um nível maior” de ataques. A fala ocorre após quase duas semanas de operações americanas que teriam resultado na suspensão de um cessar-fogo previamente acordado, segundo Trump. O tom de advertência reforça a pressão sobre o Irã em meio a uma dinâmica de hostilidades que já se espalha pela região.
Segundo Trump, a guerra, que ele estimou inicialmente durar até cinco semanas, aproximou-se do quinto mês. O prolongamento do conflito também repercute na cena interna dos Estados Unidos, com impactos na popularidade do Partido Republicano antes das eleições legislativas de novembro, consideradas cruciais para o equilíbrio político na segunda metade do mandato do presidente.
Objetivo dos ataques e resposta de Teerã
As autoridades americanas afirmaram que o objetivo dos ataques é encerrar o bloqueio que, segundo Washington, o Irã impõe ao Estreito de Ormuz. A resposta de Teerã veio na forma de ataques a bases americanas no Oriente Médio, que provocaram até o momento a morte de quatro militares dos Estados Unidos, ampliando o risco de escalada regional.
Paralelamente, Trump afirmou que Rusia e China não estariam fornecendo apoio militar direto ao Irã, desmentindo informações de que esses países estariam ajudando o Irã a atacar as forças norte-americanas. “O presidente Xi disse que não participará e o presidente Putin disse o mesmo. Confio neles. Não acho que queiram me decepcionar”, disse o presidente.
Em tom separado, a agência estatal chinesa Xinhua informou que o chanceler chinês, Wang Yi, reuniu-se com o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, no Quirguistão. Conforme a agência, Wang pediu a retomada imediata das negociações entre as partes e a implementação de um memorando de entendimento voltado a reduzir as tensões no Oriente Médio e na região do Golfo.
As declarações ocorrem em um momento de diplomacia emergente, com sinais de que negociações continuam em diferentes palcos. A pauta de encontros e declarações sugere que, apesar das retóricas de confronto, há esforços para evitar uma escalada ainda maior, ao menos em alguns governos, à medida que a região permanece em uma zona de alta vulnerabilidade.
Com informações de AFP, o cenário internacional permanece pautado pela tensão entre Washington e Teerã, acentuada por ataques regionais, mobilização de tropas e movimentações diplomáticas de potências como a China, que tentam promover iniciativas de diálogo e menor acirramento em uma área estratégica para o abastecimento global de petróleo.


