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Setor de combustíveis alerta para risco de desabastecimento devido à defasagem de preços e cenário internacional

Setor de combustíveis alerta para risco de desabastecimento devido à defasagem de preços e cenário internacional

O setor de combustíveis no Brasil enfrenta um cenário de crescente preocupação devido à significativa defasagem entre os preços do diesel praticados pela Petrobras e os valores de mercado internacionais, o que pode levar a problemas de abastecimento. Segundo Sergio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), essa diferença já ultrapassa R$ 3 por litro, o que torna inviável economicamente a importação do produto por agentes privados, uma vez que o custo de aquisição no mercado externo não compensa os preços internos atualizados.

A dependência do Brasil na importação de diesel, devido à insuficiência da capacidade de refino nacional para atender à demanda interna, especialmente nas áreas de transporte de cargas e agricultura, agrava a situação. Araújo ressaltou que, com a disparidade de preços, importadores tendem a reduzir suas operações, o que pode comprometer a oferta do combustível nas próximas semanas e aumentar o risco de desabastecimento em várias regiões do país. Ele destacou ainda que a diferença entre o preço interno e a paridade internacional já supera R$ 3,89 por litro, dificultando a competitividade da importação privada.

A crise no mercado internacional de petróleo, agravada pela instabilidade no Oriente Médio, também impacta o cenário brasileiro. O preço do petróleo Brent voltou a ultrapassar US$ 100 por barril, elevando os custos de produção e de toda a cadeia de refino. Essa elevação de preços, aliada à crise geopolítica, influencia diretamente os custos de produção de combustíveis e reforça a pressão por ajustes na política de preços praticada pela Petrobras.

O momento político também é considerado delicado, uma vez que o país se aproxima de eleições gerais. Especialistas e representantes do setor apontam que há uma percepção de que o governo pode estar influenciando as políticas de preços da estatal, com o objetivo de evitar impactos inflacionários no período eleitoral. Episódios recentes exemplificam essa dinâmica, como a sinalização de reajustes por parte da Petrobras que posteriormente foram revertidos, mantendo os preços abaixo da paridade internacional. Na semana passada, a estatal chegou a indicar uma possível alta na gasolina, acompanhando o aumento do petróleo no mercado global, mas recuou da decisão.

Com preços internos mais baixos, a competitividade da Petrobras se mantém superior à dos importadores privados, que enfrentam dificuldades para atuar no mercado devido à defasagem de preços. Essa situação cria um ambiente de incerteza, agravado pelas desonerações fiscais promovidas pelo governo, que, combinadas à defasagem de preços, reduzem o incentivo para que agentes privados realizem importações, aumentando a vulnerabilidade do abastecimento.

A Petrobras afirma que sua política comercial busca equilibrar competitividade e rentabilidade, considerando fatores internos e externos. No entanto, a pressão por reajustes tende a crescer à medida que a defasagem se amplia e os efeitos dessa disparidade começam a se refletir na ponta do consumo.

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) acompanha de perto a situação e afirmou, até o momento, não haver indícios de desabastecimento de diesel no mercado nacional. A entidade destacou que o período que se inicia, marcado pela sazonalidade agrícola, pode demandar uma atenção especial, especialmente no que diz respeito à capacidade de complementação da oferta via importações, considerando custos, logística e condições de mercado externo.

Na semana passada, o governo editou uma Medida Provisória que prevê um incentivo de R$ 1 por litro de diesel, regulamentado na quarta-feira, dia 16 de setembro, no Diário Oficial da União. Após a publicação, a Petrobras ajustou seus preços do diesel em R$ 1 por litro, com o subsídio do governo atuando como um freio ao aumento, de modo a evitar impactos diretos ao consumidor final. Antes disso, uma subvenção de R$ 1,12 por litro estava vigente até 26 de setembro, e a nova medida deve elevar esse valor para R$ 2,12 por litro.

Apesar do esforço governamental para conter os preços, a situação de defasagem ainda representa um desafio, colocando em risco a estabilidade do abastecimento em um momento de alta volatilidade internacional e de incertezas políticas internas.

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