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Procuradoria-Geral da República manifesta-se favoravelmente à saída de Henrique Moura Vorcaro da prisão para realização de exames médicos

Procuradoria-Geral da República manifesta-se favoravelmente à saída de Henrique Moura Vorcaro da prisão para realização de exames médicos

A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu nesta sexta-feira (18 de setembro) parecer favorável à autorização para que Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, deixe a prisão temporariamente com o objetivo de realizar exames médicos. A decisão ocorre no contexto da investigação em andamento que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero.

Henrique Moura Vorcaro está detido desde o dia 14 de maio deste ano, sob acusação de envolvimento em esquema financeiro ilícito. Sua prisão está relacionada às investigações que apontam movimentações financeiras suspeitas envolvendo sua empresa, a Multipar. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a companhia movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025, exclusivamente por meio de contas vinculadas ao núcleo do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

A solicitação de liberação para realização de exames médicos foi feita pela defesa do investigado, que alegou a necessidade de avaliação por um coloproctologista devido a uma possível crise de diverticulite. Essa condição consiste na inflamação ou infecção que afeta pequenas bolsas (divertículos) na parede do intestino grosso, frequentemente causada pelo acúmulo de resíduos fecais nessas bolsas. Apesar de uma avaliação médica anterior indicar que não havia urgência na realização dos exames, e de a prescrição de antibióticos ter sido recomendada apenas por obstinação do paciente, a PGR entendeu que não há impedimentos para a saída de Henrique Moura Vorcaro da prisão para esse procedimento.

Na manifestação assinada pelo subprocurador Paulo Gonet, a PGR destacou que a saída do investigado deve seguir as regras estabelecidas pelo estabelecimento prisional, que deve determinar a melhor forma de operacionalizar essa liberação, garantindo o controle e a segurança necessários. O parecer reforça a posição de que a realização dos exames é compatível com as condições do sistema penitenciário, desde que observadas as devidas medidas de segurança.

A investigação envolvendo Henrique Moura Vorcaro ganhou maior repercussão após a Polícia Federal (PF) informar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Daniel Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída a ele, após ter sido colocado em liberdade no final de 2025. Essas movimentações financeiras suspeitas reforçam o caráter complexo do esquema investigado, que também envolve a presidência da Multipar, empresa controlada pelo pai do banqueiro, e que, segundo as apurações, teria sido utilizada para operações ilícitas de lavagem de dinheiro e corrupção.

A decisão da PGR, ao autorizar a saída de Henrique Moura Vorcaro para realização de exames médicos, representa um passo na tramitação da investigação, que busca equilibrar a necessidade de apuração rigorosa com o respeito aos direitos do investigado. A medida evidencia o cuidado das autoridades em garantir que procedimentos médicos essenciais possam ser realizados sem prejudicar o andamento do processo penal.

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