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Apenas 29% das Pessoas com Deficiência Estão Empregadas no Brasil, Aponta Pesquisa do IBGE

Apenas 29% das Pessoas com Deficiência Estão Empregadas no Brasil, Aponta Pesquisa do IBGE

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18 de setembro) revelam que, em 2022, apenas 29% das pessoas com deficiência estavam ocupadas no Brasil, indicando uma significativa desigualdade no acesso ao mercado de trabalho. O percentual representa uma diferença de 26,8 pontos percentuais em relação às pessoas sem deficiência, cuja taxa de ocupação atingiu 55,8% no mesmo período.

A pesquisa, intitulada Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, é a segunda edição do estudo e utiliza como principal fonte o Censo Demográfico 2022, realizado pelo IBGE. Além disso, o levantamento incorpora dados de outras instituições, como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Segundo o estudo, a população com deficiência estimada no país em 2022 era de aproximadamente 14 milhões e 407 mil pessoas, o que corresponde a 7,3% do total de indivíduos com 2 anos ou mais de idade. Esses números evidenciam a presença expressiva de pessoas com deficiência na sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que revelam a baixa participação dessas pessoas no mercado de trabalho formal.

Outro aspecto importante destacado pelo levantamento é a contribuição para a Previdência Social. Entre as pessoas com deficiência que estavam empregadas em 2022, 57,9% contribuíam para a previdência, enquanto esse percentual era de 67,7% entre os trabalhadores sem deficiência. Essa diferença aponta para uma menor inserção e maior vulnerabilidade econômica entre o grupo com deficiência.

O estudo também aponta variações no nível de ocupação de acordo com o tipo de deficiência. A menor taxa foi registrada entre indivíduos com dificuldades ou impossibilidades relacionadas a limitações cognitivas ou mentais, com apenas 12,9%. Em contrapartida, o maior índice de ocupação foi observado entre aqueles com dificuldades de visão, chegando a 35,9%, embora ainda abaixo dos 55,8% de pessoas sem deficiência.

A desigualdade no acesso ao trabalho se manifesta ainda na análise por sexo e cor ou raça. Em todos os grupos considerados, as pessoas com deficiência apresentaram taxas de ocupação e de contribuição previdenciária inferiores às de pessoas sem deficiência. As mulheres com deficiência, por exemplo, tiveram o menor índice de ocupação, com apenas 24,4%, enquanto os homens com deficiência apresentaram uma taxa de 35,4%. Em comparação, as mulheres sem deficiência tinham uma taxa de 47%.

O levantamento também evidencia disparidades raciais, com pessoas brancas, com ou sem deficiência, contribuindo de forma proporcionalmente maior para a Previdência do que pretas ou pardas. Além disso, a renda média mensal das pessoas com deficiência em 2022 foi de aproximadamente R$ 2.053, valor que representa cerca de 70% do rendimento médio de pessoas sem deficiência, que foi de R$ 2.890. A diferença de rendimento médio entre esses grupos foi de R$ 837 por mês.

De acordo com o IBGE, esses rendimentos menores entre as pessoas com deficiência se mantêm em todos os setores econômicos analisados, sendo que elas estão mais concentradas em atividades de menor remuneração, como serviços domésticos, agropecuária e setores de alojamento e alimentação. Esses dados reforçam a persistência de desigualdades estruturais que dificultam a inclusão plena dessa parcela da população no mercado de trabalho brasileiro.

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