Uma mulher britânica de 43 anos, residente em Eastleigh, no condado de Hampshire, conseguiu superar uma condição pouco reconhecida que a impedia de arrotar há mais de quatro décadas. Gemma Renwick conviveu por toda a vida com dificuldades para liberar o ar acumulado no organismo, o que provocava inchaço intenso, dores e ruídos na garganta que ela descreve como semelhantes ao coaxar de um sapo. A descoberta do diagnóstico e o subsequente tratamento com toxina botulínica permitiram que ela, pela primeira vez na vida, pudesse arrotar de forma natural.
Desde a juventude, Gemma apresentou sintomas como distensão abdominal constante, desconforto e ruídos involuntários na garganta, que chamavam a atenção de familiares e amigos. Segundo ela, esses sinais eram particularmente constrangedores durante a fase adulta, especialmente em ambientes profissionais, em reuniões ou durante ligações telefônicas, prejudicando sua rotina social e laboral. Apesar de buscar auxílio médico diversas vezes a partir dos 21 anos, ela recebeu orientações e medicamentos destinados a tratar síndrome do intestino irritável e alergias alimentares, sem obter um diagnóstico preciso que explicasse o conjunto de sintomas.
A condição responsável por seus problemas é conhecida como disfunção cricofaríngea retrógrada, ou R-CPD, popularmente chamada de “síndrome do não arroto”. Essa disfunção ocorre quando o músculo cricofaríngeo, localizado na parte superior do esôfago, não relaxa adequadamente na direção contrária à de deglutição, impedindo a saída do ar acumulado pelo método natural de arroto. Como consequência, o gás fica retido no esôfago, estômago e intestino, provocando distensão abdominal, sensação de pressão no peito e no pescoço, além de ruídos e excesso de flatulência. A causa exata da condição ainda é desconhecida, e muitas pessoas convivem com ela desde a infância.
A resposta definitiva para o caso de Gemma só chegou em 2024, após ela assistir a um vídeo no TikTok que abordava pessoas incapazes de arrotar. Ao perceber semelhanças entre os sintomas descritos no vídeo e os seus próprios, ela passou a suspeitar de R-CPD. Decidida a tratar o problema, ela buscou uma clínica particular e, em maio de 2026, submeteu-se a um procedimento que utilizou toxina botulínica no músculo cricofaríngeo. Essa aplicação, diferente do uso estético comum, tem como objetivo temporariamente reduzir a contração muscular, facilitando o relaxamento necessário para que o ar acumulado possa subir pelo esôfago e ser eliminado por meio do arroto.
Os resultados foram rápidos e perceptíveis. Gemma relata que, entre o quarto e o quinto dia após a aplicação, começou a perceber arrotos mais frequentes e com maior volume. Além do alívio na liberação do gás, ela também notou melhorias nos sintomas associados, como o inchaço abdominal e a sensação de pressão no peito. Após cinco semanas do procedimento, ela afirmou não apresentar mais os problemas que a acompanhavam por décadas, incluindo dores e desconforto causados pelo excesso de gases.
Apesar do sucesso do tratamento, especialistas alertam que a aplicação de toxina botulínica na região deve ser realizada por profissionais qualificados, devido aos possíveis efeitos adversos. Entre eles, estão dificuldades temporárias ao engolir, sensação de alimento preso na garganta ou a sensação de um “caroço”, além de refluxo gastroesofágico. Para Gemma, contudo, a possibilidade de arrotar livremente representou uma mudança que vai além do alívio físico, impactando positivamente sua qualidade de vida.


