O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, realizou nesta quinta-feira (15/10), em Brasília, uma reunião com representantes da Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp. O encontro teve como objetivo abordar denúncias e controvérsias relacionadas ao funcionamento das ferramentas de inteligência artificial (IA) da companhia, especialmente na fase final do segundo turno das Eleições 2026. A pauta foi motivada por apurações internas e denúncias recebidas pela Justiça Eleitoral, que apontam possíveis vieses e falhas nas plataformas da Meta, com foco específico na atuação da IA integrada ao WhatsApp, denominada Meta AI.
Segundo informações obtidas pelo portal Metrópoles, a convocação para a reunião foi feita pelo próprio ministro Kassio Nunes Marques, com o intuito de esclarecer questões relativas ao comportamento da inteligência artificial durante o período de campanha. Entre os pontos discutidos, destacou-se a análise de relatos consistentes de que a IA estaria apresentando um comportamento favorável ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), associando sua imagem ao número 22, enquanto se recusava a reproduzir procedimentos semelhantes em relação ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que usa o número 13.
As denúncias foram apresentadas pela campanha de Lula à Justiça Eleitoral, alegando que a assistente virtual da Meta, ao gerar imagens relacionadas às campanhas, favorecia o adversário de forma indevida. De acordo com as informações, a IA gerava imagens favoráveis a Flávio Bolsonaro, incluindo a associação de sua imagem ao número 22, mas se recusava a fazer o mesmo ao tentar criar imagens com o nome de Lula associado ao número 13. Essa disparidade levantou suspeitas de viés na ferramenta, levando a Justiça a solicitar esclarecimentos e ações corretivas por parte da Meta.
Em resposta às denúncias, os representantes da Meta apresentaram justificativas técnicas e informaram as providências tomadas para corrigir os problemas apontados. Em nota oficial enviada ao Metrópoles na quarta-feira (14/10), a empresa afirmou que adotou medidas para impedir a geração de imagens de candidatos, em conformidade com as regras eleitorais brasileiras. Entre as ações, a Meta informou que proibiu temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens relacionadas a eles, além de implementar restrições que impedem comandos que utilizem apenas o primeira nome dos candidatos ou seus números na urna de produzir imagens. A companhia destacou ainda que tomou medidas adicionais para evitar a criação de conteúdos que possam influenciar o eleitorado de forma indevida.
No entanto, a Meta não esclareceu o motivo pelo qual a IA ainda permite a geração de imagens relacionadas ao candidato Flávio Bolsonaro, mesmo após as medidas adotadas. O portal Metrópoles realizou testes com a ferramenta de IA do WhatsApp, conduzidos pela coluna Alfredo Henrique, e constatou que a assistente virtual se recusou a gerar uma imagem com a frase “Lula 13”, mas criou normalmente uma arte com o nome “Flávio” e o número “22”. Essas evidências reforçam as suspeitas de vieses na atuação da inteligência artificial, que podem impactar o ambiente eleitoral e a percepção pública durante o período de campanha.
O encontro entre Kassio Nunes Marques e os representantes da Meta evidencia a preocupação do Tribunal Superior Eleitoral em monitorar e garantir a integridade do processo eleitoral, especialmente no que diz respeito ao funcionamento de plataformas digitais e suas ferramentas automatizadas. A discussão sobre os possíveis vieses na IA da Meta ocorre em um momento de intensificação do uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais, levantando debates sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa e de transparência por parte das grandes empresas de tecnologia no contexto político brasileiro.


