Correio Divinopolitano

MPF investiga denúncias de intimidação contra estudantes e professores em universidades durante período eleitoral

MPF investiga denúncias de intimidação contra estudantes e professores em universidades durante período eleitoral

O Ministério Público Federal (MPF) está conduzindo uma investigação sobre denúncias de intimidação e ameaças dirigidas a estudantes e docentes de instituições públicas de ensino no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. As ações do órgão visam apurar as medidas adotadas pelas universidades para garantir a liberdade de expressão, a segurança da comunidade acadêmica e o direito de manifestação política durante o período eleitoral, especialmente em um contexto de aumento de tensões políticas e mobilizações no ambiente universitário.

As denúncias foram feitas pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), que relatou episódios de efeito inibidor, conhecido como “chilling effect”. Essa expressão refere-se ao fenômeno em que o medo de represálias leva estudantes e professores a evitarem participar de manifestações, assembleias ou atividades acadêmicas relacionadas a questões políticas. Segundo o MPF, várias dessas atividades foram canceladas ou esvaziadas por receio de agressões ou represálias de cunho político, o que compromete o ambiente de liberdade e debate nas instituições de ensino.

No Rio de Janeiro, foram relatadas ameaças específicas contra estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrantes do Diretório Central dos Estudantes Mário Prata, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Essas ameaças ocorreram principalmente em grupos de mensagens, e uma das ocorrências mais emblemáticas aconteceu em 8 de outubro, quatro dias após o primeiro turno das eleições gerais. Nesse episódio, um homem entrou no campus de Angra dos Reis, no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ), e ameaçou estudantes que participavam de uma mobilização em defesa da democracia, gerando preocupação entre as autoridades e a comunidade acadêmica.

No estado do Rio Grande do Sul, a denúncia foi motivada pela circulação de materiais considerados intimidatórios e potencialmente ameaçadores direcionados a estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Essas ações, segundo o sindicato, afetaram especialmente aqueles que estavam organizando assembleias e mobilizações acadêmicas com foco político. Além disso, o sindicato apontou que outras ocorrências similares ocorreram em diferentes estados do país, incluindo ameaças a estudantes e intervenções de forças de segurança em espaços universitários, além de um incêndio na Universidade Federal de Pernambuco, que também foi relacionado ao clima de tensão e repressão.

O MPF adotou providências para apurar os relatos, incluindo o envio de ofícios aos reitores das instituições de ensino envolvidas, solicitando explicações e medidas de proteção e prevenção. Além disso, o órgão estabeleceu canais de denúncia e protocolos de segurança para garantir a integridade dos estudantes e professores ameaçados ou intimidados durante esse período sensível.

A reportagem entrou em contato com as universidades mencionadas — UFF, UFRJ e UFRGS — e aguarda respostas oficiais. Assim que houver manifestações oficiais, a matéria será atualizada para fornecer informações adicionais e esclarecimentos sobre as ações das instituições diante das denúncias de intimidação e ameaças.

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