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Médico cassado e investigado por morte de paciente continua realizando procedimentos em clínica de Belo Horizonte

Médico cassado e investigado por morte de paciente continua realizando procedimentos em clínica de Belo Horizonte

Apesar de ter seu registro profissional cassado e de estar sob investigação pela morte de uma paciente, o médico Norberto Paes Campos permanece atendendo em uma clínica localizada no bairro Funcionários, em Belo Horizonte. A informação foi apurada pela equipe da RECORD Minas junto à clínica, que mantém a agenda de atendimentos mesmo após a suspensão do seu registro e a interdição do estabelecimento.

Norberto Paes Campos, que se apresenta nas redes sociais como especialista em cirurgias íntimas e procedimentos de emagrecimento, teve seu processo de suspensão iniciado em 2019, após uma paciente falecer durante um procedimento estético realizado por ele. Desde então, as investigações avançaram e, em julho de 2025, o Conselho Federal de Medicina (CFM) cassou oficialmente o seu registro profissional, impedindo-o de exercer qualquer atividade médica, realizar procedimentos clínicos ou cirúrgicos, ou mesmo se apresentar como médico.

Contudo, mesmo com a cassação, Norberto continua divulgando seus serviços na internet, utilizando sites e redes sociais que permanecem ativos. Uma equipe da RECORD Minas entrou em contato com a clínica onde ele atua, utilizando os contatos disponíveis online, e constatou que o médico mantém uma agenda de atendimentos disponíveis para agendamento. Segundo a delegada Helena Terumi, responsável pelas investigações, a continuidade da divulgação e do atendimento configura possível exercício ilegal da medicina.

A Polícia Civil intensificou as apurações após uma denúncia recebida em julho deste ano, na qual um nutrólogo revelou que Norberto estaria usando o seu próprio registro profissional e carimbo para obter medicamentos e realizar procedimentos de forma irregular. A delegada explicou que Norberto também teria utilizado o nome e o carimbo de outros médicos, o que levou a uma operação conjunta com o Conselho Regional de Medicina e a Vigilância Sanitária. Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na clínica e na residência do suspeito.

Nas inspeções, os policiais encontraram um ambiente totalmente inadequado para a realização de cirurgias, sem as condições mínimas de segurança e assistência. A clínica apresentava ausência de equipes de enfermagem, equipamentos de primeiros socorros, luvas cirúrgicas, além de medicamentos vencidos, canetas emagrecedoras suspeitas e outros produtos de origem duvidosa. Também foi constatado que Norberto realizava procedimentos invasivos sem suporte adequado, mesmo após a morte da paciente ocorrida no local, na qual ele teria levado a vítima ao hospital no próprio carro, sem apoio de ambulância ou unidade de emergência.

A Vigilância Sanitária recolheu diversos medicamentos vencidos, oxigênio fora da validade, um desfibrilador inoperante e carimbos com nomes de outros profissionais, que Norberto alegou não reconhecer. Sobre os carimbos, o suspeito afirmou que seriam de uso pessoal, para uma doença dele, negando qualquer relação com os documentos apreendidos. Nenhum dos carimbos possuía o número de controle oficial do Conselho Regional de Medicina, o que reforça a irregularidade da situação.

Após a operação, Norberto foi formalmente indiciado por exercício ilegal da medicina e falsificação de documentos. Apesar de estar cassado e com a clínica interditada, ele continua oferecendo atendimentos, conforme apurado por uma equipe da RECORD Minas ao verificar a disponibilidade de agenda em seu site e redes sociais. A Polícia Civil reforça que a manutenção da divulgação de seus serviços pode configurar crime de exercício ilegal da medicina, e que as investigações seguem em andamento, aguardando os resultados das perícias realizadas nos materiais apreendidos.

A delegada Helena Terumi alertou possíveis vítimas a procurarem a polícia caso tenham sido atendidas por Norberto ou realizado procedimentos na clínica, que permanece com atividades de estética não invasiva autorizadas pela Vigilância Sanitária. A secretaria de saúde destacou que o estabelecimento onde Norberto atua está interditado para atividades médicas, funcionando apenas como uma clínica de estética, com condições sanitárias em conformidade com a legislação, mas sem autorização para procedimentos invasivos ou cirúrgicos. A Vigilância Sanitária continuará monitorando o local e adotará as medidas cabíveis caso sejam constatadas novas irregularidades.

Por fim, o advogado de Norberto, Renato Dilly, afirmou que os autos tramitam em segredo de justiça e que a defesa confia na Justiça e na inocência do médico, aguardando o contraditório judicial para exercer seu direito de defesa.

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