O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou nesta terça-feira (15/9) a aquisição da fabricante brasileira de defesa Avibras pelos empresários Joesley e Wesley Batista, responsáveis pelo grupo J&F, em operação realizada por meio do family office Globe Investimentos. A decisão, que não impôs restrições, foi tomada pela Superintendência-Geral do órgão regulador após análise que concluiu não haver riscos à concorrência no setor de defesa.
Segundo o parecer divulgado pelo Cade, a operação foi classificada como uma substituição de agente econômico, uma vez que os adquirentes não atuam no setor de defesa ou em mercados relacionados. Assim, o órgão entendeu que não há sobreposição de atividades ou possibilidade de integração vertical capaz de prejudicar a competição no mercado brasileiro. A aquisição envolve uma holding que controla a Avibras Aeroco, responsável pelos ativos industriais e tecnológicos da tradicional fabricante brasileira de equipamentos militares. O valor financeiro da operação, no entanto, não foi divulgado pelo Cade ou pelas partes envolvidas.
A aprovação do negócio ainda pode ser questionada por terceiros ou levada ao tribunal do Cade, caso haja recursos ou manifestações contrárias ao entendimento da Superintendência-Geral. Caso não haja questionamentos, o procedimento seguirá sua tramitação regular, consolidando a operação.
A operação representa a entrada dos irmãos Batista no setor de defesa e aeroespacial, considerado estratégico para o desenvolvimento tecnológico e de segurança do país. Segundo informações fornecidas ao Cade, os compradores argumentaram que a aquisição poderá contribuir para a reestruturação da Avibras e fortalecer a indústria nacional de defesa, que enfrenta desafios históricos de modernização e competitividade.
Fundada em 1961, a Avibras é reconhecida como uma das principais empresas brasileiras de tecnologia militar, com atuação significativa na produção de sistemas de artilharia, mísseis e foguetes. Além disso, a companhia possui presença no setor espacial, atuando em projetos de alta tecnologia voltados à defesa e ao desenvolvimento científico do Brasil. Nos últimos anos, a empresa enfrentou uma crise financeira severa, que culminou em sua entrada em recuperação judicial em 2022, devido ao acúmulo de dívidas, paralisações operacionais e greves de funcionários motivadas por atrasos salariais.
Desde então, a Avibras passou por tentativas de venda e reestruturação, sem sucesso até o momento, até que a negociação com o grupo dos irmãos Batista foi concretizada. Como parte do processo de reestruturação, uma nova estrutura societária foi adotada, consolidada a partir de 2025, que isolou os ativos operacionais das dívidas existentes. Essa estratégia permitiu a retomada das atividades da empresa em 2026, após um aporte de recursos privados que possibilitou a recuperação financeira e operacional da companhia.
A operação, que marca uma nova fase para a Avibras, demonstra a intenção do grupo J&F de ampliar sua atuação em setores estratégicos, especialmente na defesa, setor considerado prioritário pelo governo brasileiro para o desenvolvimento tecnológico, segurança e soberania nacional. A aprovação pelo Cade reforça o entendimento de que a operação não prejudicará a livre concorrência no mercado de defesa, mesmo com a entrada de um novo participante de grande porte no setor.


