O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à reeleição, voltou a confrontar o senador e pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, sobre a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com a garantia de dois dias de descanso sem redução salarial. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Lula pediu que Flávio Bolsonaro e sua bancada no Senado se posicionem favoravelmente à proposta, acusando-os de dificultar a aprovação do projeto e de “inventar lorota” para justificar a resistência.
Na gravação, Lula questionou diretamente Flávio Bolsonaro: “Ô Flávio, ontem eu lhe cobrei: vai ou não vai votar o fim da escala 6×1? Vamos ou não vamos garantir ao povo trabalhador ficar dois dias em casa e trabalhar cinco dias, sem redução de salário? Bota a sua bancada para votar, cara! Pare de inventar lorota!” A fala reforça a insistência do presidente em pressionar os senadores do partido de Bolsonaro a apoiarem a iniciativa, que tem sido alvo de resistência por parte de setores ligados ao bolsonarismo.
Lula também destacou a importância de aprovar a PEC, afirmando que a medida permitiria ao trabalhador brasileiro desfrutar de uma jornada de trabalho mais civilizada e de melhores condições de descanso. Ele acrescentou que, ao colocar o projeto para votação, o Senado dará ao povo a oportunidade de decidir sobre a mudança, que visa diminuir a carga horária máxima de 44 para 40 horas semanais, além de garantir dois dias de descanso sem redução de salário.
A discussão sobre a PEC ganhou força na semana passada, quando começou a ser debatida no plenário do Senado Federal. Na terça-feira, 6 de outubro, Lula desafiou explicitamente o Partido Liberal (PL), partido de Flávio Bolsonaro, a demonstrar coragem para votar a matéria. A postura do senador e de sua bancada, no entanto, tem sido de oposição ao projeto, com Flávio defendendo a adoção de um regime de trabalho por hora, que permite negociações individuais entre empregadores e empregados, ao invés de uma redução na jornada padrão.
Segundo informações do portal Metrópoles, a campanha de Flávio Bolsonaro orientou senadores da oposição a se absterem em uma eventual votação da PEC, prevista para a próxima semana. Além disso, a orientação também foi para que os senadores não fizessem pronunciamentos públicos contrários à proposta durante as sessões do plenário, numa tentativa de evitar desgaste político e manter uma postura de resistência ao projeto.
Lula já havia mencionado anteriormente que, ao começar a votação no Senado, “a máscara” de quem é contra a proposta começaria a cair. Ele afirmou que a votação é simples, pois, ao digitar o voto, o sistema eletrônico do Senado exibe se o senador votou sim ou não, e os resultados seriam conhecidos pelo público na manhã seguinte. A expectativa é de que o projeto enfrente resistência, principalmente do setor bolsonarista, que tem defendido posições contrárias à redução da jornada de trabalho.
O candidato de Lula na disputa presidencial também comentou, na quarta-feira, 7 de outubro, que mudanças no regime trabalhista, por si só, não resolveriam problemas como desemprego ou endividamento, reforçando a complexidade do debate. O projeto de lei, que visa reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais e garantir dois dias de descanso, sem perda de salário, tornou-se uma prioridade para o governo petista na reta final da campanha eleitoral, buscando conquistar apoio popular e fortalecer a narrativa de melhorias nas condições de trabalho no país.


