Jürgen Klopp foi confirmado nesta sexta-feira, 24, como novo técnico da seleção alemã, assumindo o comando para o ciclo que envolve a Eurocopa de 2028 e a Copa do Mundo de 2030. A notícia chega mais de dois anos após a última partida dele pelo Liverpool, e é marcada pela surpresa diante da demora em admitir uma possível saída de sua pausa. A seguir, os principais elementos que contextualizam a contratação e a trajetória de Klopp, que retorna ao cenário europeu após uma passagem recente pela Red Bull.
Mais de duas décadas após iniciar a carreira de treinadores na Alemanha, Klopp volta ao topo do futebol internacional ao assumir a seleção alemã. Em que pese os rumores durante o Mundial na América do Norte, a confirmação só veio agora, com o técnico anunciando mudanças significativas em sua carreira. O anúncio desta sexta-feira reforça a ideia de renovação no futebol alemão, ao apostar em um comandante de currículo vitorioso para conduzir a Mannschaft rumo aos grandes torneios que estão por vir.
Entre o fim da passagem pelo Liverpool e a decisão de treinar a Alemanha, Klopp não esteve completamente afastado do cotidiano das quatro linhas. Em janeiro de 2025, ele passou a atuar como Chefe Global de Futebol da Red Bull, função que o colocou à frente de uma rede de clubes da marca, como RB Leipzig, RB Salzburg e o RB Bragantino, no Brasil. Ele próprio afirmou ter gostado do cargo e entendido que não era o momento de retornar a um banco de clubes, mas que, em julho, sentiu-se “recarregado” para novas etapas. A partir desse contexto, especulações sobre um retorno ao comando de uma equipe de alto nível ganharam força, especialmente na imprensa europeia.
Saída de Liverpool e o período de pausa
Klopp comunicou a saída do Liverpool em janeiro de 2024, mantendo-se no clube até o término da temporada europeia, que encerrou no meio do ano. A última atuação dele pela equipe inglesa ocorreu na vitória por 2 a 0 sobre o Wolverhampton, pela última rodada da Premier League, marco que encerrou seu ciclo no clube. Em entrevista à Sky Sports, o treinador elucidou o que o levou a se afastar das atividades 24 horas por dia do futebol: reconheceu ter perdido a energia necessária para manter o nível de comprometimento que julga indispensável. “Você precisa realmente estar com muita disposição, e 80% não é suficiente”, afirmou, acrescentando que, embora haja coisas mais importantes na vida, o trabalho exige dedicação total, 24/7.
Desde então, Klopp recebeu convites de diversos gigantes europeus e da própria seleção alemã, sem, no entanto, fixar prazo para retorno. Entre os clubes apontados estiveram Chelsea, Manchester United, Real Madrid e Roma, além da Alemanha. No Brasil e na Espanha, houve especulações de que ele pudesse se tornar a opção da Roma após a saída de Claudio Ranieri, conforme reportagens na imprensa italiana, com a La Stampa citando o interesse na época. No entanto, o agente Marc Kosicke foi categórico ao desmentir as teorias: em suas redes sociais, afirmou que Klopp permanece satisfeito na Red Bull e sem ambição de treinar um clube neste momento.
Aura de Roma, Real Cidades e Magenta TV
De Espanha para Itália, a Roma também foi alçada como possível destino, especialmente após a saída de Ranieri. Contudo, Klopp desmentiu qualquer possibilidade no momento, em entrevista à Frankfurter Allgemeine Zeitung, destacando que “Roma ainda é uma cidade maravilhosa” mas que não se via mais no papel de treinador. A entrevista ressaltou o cansaço de jornadas culinadas por jogos em sequência e a ideia de que, com três clubes diferentes em sua experiência, não haveria muitas outras fases na sua carreira, embora reconhecesse a necessidade de trabalho árduo e tempo livre que se abriu sem jogos com a cadência de três dias.
O destino de Klopp: a Alemanha e as primeiras dúvidas
Na seleção alemã, as circunstâncias recentes não foram favoráveis a Nagelsmann, que, sob seu comando, a equipe chegou ao mata-mata da Copa do Mundo pela primeira vez desde 2014 ao terminar o grupo E no topo, com duas vitórias e uma derrota. Contudo, a fase final acabou precoce ao ser eliminada nos pênaltis pelo Paraguai em 30 de junho, e quatro dias depois o treinador acabou deixando o cargo. Naquela época, surgiram rumores de que Klopp poderia ser o favorito para substituí-lo, rumores que ele inicialmente recusou ao afirmar, a Magenta TV, que, embora entendesse o tamanho do sonho que envolve dirigir a seleção, não era o momento de falar sobre a possibilidade e que esse assunto não cabia à sua realidade.
Apesar da reserva inicial, Klopp manteve a imagem de Nagelsmann até que, semanas após, recuou a posição e reconheceu estar pronto para retornar ao cenário internacional. A virada veio justamente pela Magenta TV, emissora que, dias antes, havia ouvido Klopp negar qualquer possibilidade. Em entrevista à própria emissora, o alemão afirmou estar “mais do que recarregado” e pronto para o desafio, reconhecendo que, embora o momento não parecesse perfeito — ainda com contrato vigente com a Red Bull —, era “o melhor momento que já houve” para retornar ao futebol europeu em um cargo de seleção nacional.
O significado da contratação e o histórico de Klopp
A assinatura de Klopp pela Alemanha marca a primeira vez que ele assume o comando de uma seleção nacional. A trajetória do treinador começou no Mainz, clube da cidade homônima, onde permaneceu por sete temporadas. Em 2004, conseguiu levar o Mainz de volta à Bundesliga pela primeira vez em 41 anos, com a melhor campanha abranger o 11º lugar em 2004-05. Em 2008, assinou com o Borussia Dortmund, quebrando o domínio do Bayern de Munique ao conquistar o título alemão em 2010-11 e 2011-12. No ano seguinte, foi vice-campeão da Champions League, perdendo para o próprio Bayern.
Aproximadamente em 2015, Klopp assumiu o Liverpool, onde reedificou o clube. Em 2017-18 levou o time à final de Champions pela primeira vez desde 2007 e, na temporada seguinte, conquistou o título continental pela primeira vez desde 2005. Ainda na Liga dos Campeões, chegou a outra decisão em 2021-22, perdendo para o Real Madrid. Entre os títulos nacionais, acumulou Premier League, duas Copas da Liga Inglesa, uma FA Cup, uma Supercopa da Inglaterra e uma Supercopa da Uefa, além do Mundial de Clubes contra o Flamengo, liderado por Jorge Jesus.
Ao longo de sua carreira, Klopp revelou jovens talentos que prosperaram sob seu comando, como Virgil van Dijk, Mohamed Salah, Sadio Mané, Roberto Firmino e Alexander-Arnold, além de revelar em Dortmund nomes como Robert Lewandowski, Marco Reus e Mats Hummels. A experiência acumulada em clubes de renome e a capacidade de formar equipes competitivas reforçam a expectativa de que Klopp possa conduzir a Alemanha a um patamar elevado no cenário mundial. Com a seleção em processo de renovação, o técnico chega com o objetivo de consolidar a equipe no cenário global e reacender o sonho da torcida alemã de alcançar o Brasil em busca do quinto título mundial, tornando-se o segundo país a ostentar cinco conquistas da Copa do Mundo.
A confirmação oficial de Klopp como treinador da Alemanha representa, portanto, não apenas a reinserção de um técnico de renome no circuito internacional, mas a aposta de uma era voltada para o amadurecimento de uma equipe que busca novas referências para enfrentar as seleções mais tradicionais em torneios de grande expressão. A reportagem é de agência.


