Correio Divinopolitano

Rui Costa diz que mercado financeiro deve considerar interesses do país após alta do dólar

Rui Costa diz que mercado financeiro deve considerar interesses do país após alta do dólar

O senador eleito Rui Costa (PT-BA) afirmou nesta sexta-feira (30/10) que o mercado financeiro também precisa levar em conta os interesses do Brasil diante da volatilidade registrada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao programa Agora Metrópoles, o ex-ministro da Casa Civil criticou movimentos de formação de preços e de expectativas que, segundo ele, podem ampliar ganhos de determinados setores em prejuízo do país.

A declaração foi dada aos colunistas Milena Teixeira e Matheus Leitão. Rui Costa avaliou que agentes do setor financeiro responsáveis pela formação de preços e de expectativas deveriam considerar os efeitos de suas decisões sobre a economia brasileira.

“Eu acho que o Brasil tem que discutir o setor financeiro, aqueles que fazem formação de preço, formação de expectativas, eles precisam também pensar no país”, afirmou o senador eleito.

Para explicar o raciocínio, Rui Costa fez uma comparação com contratos públicos de obras de infraestrutura. Segundo ele, caso uma empresa responsável pela pavimentação de uma rua ou estrada tivesse influência sobre as expectativas relacionadas ao preço do asfalto que será utilizado no mês seguinte, poderia elevar essas projeções para que o governo pagasse mais caro pelo material.

“Eu fico imaginando, se alguém que tem contrato, por exemplo, de pavimentação de uma rua ou de uma estrada, ele tivesse o poder de formar expectativa sobre o preço do asfalto que será pago pelo contrato no mês seguinte. Obviamente, ele aumentaria as expectativas de preço para que o governo, no mês seguinte, pagasse o asfalto mais caro que ele executará”, declarou.

Mercado reagiu com forte volatilidade após eleição

Na segunda-feira (26/10), após o resultado eleitoral, o mercado financeiro registrou uma reação considerada intensa. O dólar disparou e chegou a ser negociado a R$ 5,60. No mesmo período, a bolsa de valores brasileira, a B3, operava em forte queda e chegou a recuar 16,77% às 11h34.

A reação foi apontada como a pior diante de um resultado eleitoral desde 2002, ano em que Lula foi eleito pela primeira vez para a Presidência da República. Conforme o contexto apresentado, o movimento ocorreu em meio à frustração do mercado com a expectativa de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.

Rui Costa atribuiu parte da forte reação à busca por ganhos considerados extraordinários. Para o senador eleito, a movimentação não deveria ser analisada apenas sob a perspectiva dos agentes financeiros, mas também a partir da necessidade de união entre os diferentes setores da economia.

“Então, acho que é preciso que todos tenham compreensão que o Brasil precisa se unir, os diversos setores econômicos, do financeiro ao agro, ao industrial, todo mundo precisa dar mãos ao país”, disse.

Na avaliação do ex-ministro, houve um componente de especulação nos primeiros dias após a eleição. Ele também afirmou existir uma diferença entre os agentes que mantêm uma aposta de longo prazo no país e aqueles que procuram obter ganhos elevados de forma ocasional.

“Tem muito, na minha opinião, de especulação, de busca de ganhos extraordinários. Aqui também vai uma diferença entre quem aposta no Brasil, quem aposta nos brasileiros, e quem quer buscar ganhos extraordinários esporadicamente”, declarou.

Senador eleito prevê acomodação das expectativas

Rui Costa afirmou ainda que a intensidade da reação observada na segunda e na terça-feira poderia diminuir nos dias seguintes, à medida que as expectativas do mercado se acomodassem. Segundo ele, o presidente Lula deverá manter a agenda voltada ao crescimento dos investimentos.

“Acho que houve um início de especulação na segunda e terça. As coisas vão se acomodando ao longo dos próximos dias. E mais do que nunca, o presidente Lula buscará seguir sua agenda de crescimento de investimentos”, afirmou.

Ao concluir, o ex-ministro defendeu uma postura de confiança em relação ao país e disse que os agentes do mercado financeiro também deveriam contribuir para o desenvolvimento brasileiro. “É isso que nós temos que fazer, apostar no Brasil, ser otimista. E todos que estão no mercado financeiro também eu acho que tem que dar a sua contribuição para o país”, finalizou.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *