O candidato à Presidência da República pelo partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira, 7 de outubro, que, caso seja eleito, pretende inserir o Brasil na iniciativa internacional conhecida como Escudo das Américas. Trata-se de um programa de cooperação em segurança liderado pelos Estados Unidos, especificamente sob a administração do ex-presidente Donald Trump, que visa fortalecer a luta contra organizações criminosas na região. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo na qual participaram o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Durante a live, Flávio Bolsonaro destacou sua intenção de fazer parte do Escudo das Américas, ressaltando a importância de uma união regional para combater facções narcoterroristas. Ele afirmou: “Eu vou, com muita vontade e muita honra, querer fazer parte também do Escudo das Américas, para fazer uma cooperação com a Colômbia e com todos os demais países que queiram se unir para combater essas facções narcoterroristas.” A proposta visa ampliar a colaboração entre o Brasil e países vizinhos, especialmente a Colômbia, conhecida por sua experiência no enfrentamento ao tráfico de drogas e às organizações criminosas transnacionais.
Flávio Bolsonaro também revelou planos de endurecimento na política de combate ao crime organizado no Brasil. Segundo ele, pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como organizações terroristas, indicando uma postura mais rígida no enfrentamento dessas facções. A proposta inclui o intercâmbio de informações entre os países integrantes e a implementação de um “regime muito duro” contra as facções criminosas, além de ampliar a cooperação internacional para o combate ao narcotráfico e ao terrorismo.
Essa não é a primeira vez que Flávio Bolsonaro manifesta interesse na inclusão do Brasil no Escudo das Américas. Em setembro, o então candidato declarou, em uma live, que, se fosse eleito, colocaria o país na iniciativa. Na ocasião, ele criticou o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mantém o Brasil fora do grupo, e afirmou que o país integraria o programa a partir do próximo ano. “O Brasil fará parte do Escudo das Américas a partir do ano que vem, porque eu vou colocar o Brasil também para se unir a todos esses países que vão se juntar para combater os narcoterroristas”, declarou na ocasião.
O Escudo das Américas, lançado oficialmente em setembro, reúne países que buscam uma ação coordenada contra organizações consideradas “narcoterroristas transnacionais”, incluindo o PCC e o CV. No entanto, o Brasil ainda não participa formalmente dessa iniciativa, o que é visto por alguns analistas como uma lacuna na estratégia regional de combate ao crime organizado.
Durante a transmissão, Abelardo de la Espriella, presidente da Colômbia, manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições brasileiras. Em publicação nas redes sociais no domingo, 4 de outubro, ele afirmou que a “verdadeira mudança” seria derrotar a esquerda e desejou sorte ao candidato do PL.
O colombiano também destacou a importância da segurança pública para ambos os países, considerando o enfrentamento ao crime organizado uma prioridade. Segundo ele, o fortalecimento das forças de segurança e a aplicação rigorosa das leis são essenciais para o combate efetivo às organizações criminosas. De la Espriella defendeu ainda uma atuação conjunta entre Brasil e Colômbia, enfatizando a necessidade de uma estratégia regional coordenada contra o narcotráfico. Desde que assumiu o cargo, o presidente colombiano passou a tratar diversos grupos criminosos como organizações narcoterroristas, reforçando a postura de combate ao crime transnacional.
Durante a live, Flávio Bolsonaro convidou Abelardo de la Espriella para uma eventual posse presidencial no Brasil, prevista para 6 de janeiro de 2027. O colombiano afirmou que não pretende deixar a Colômbia durante seu mandato, mas sugeriu a realização de uma reunião bilateral no país, com o objetivo de fortalecer os laços entre as duas nações na luta contra o narcotráfico e a insegurança pública. Ele afirmou: “Eu te espero aqui e fazemos uma reunião bilateral, em que vamos estreitar os laços entre dois países que são irmãos e que vão dar uma luta decidida contra o narcotráfico e a insegurança”.


