Após dez anos de pausa, o Festival Grito está de volta a Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, com sua 10ª edição, prevista para ocorrer entre os dias 9 e 11 de outubro. O evento, que promete revitalizar a cena cultural da cidade, contará com três dias de atividades gratuitas, incluindo shows musicais, ações de formação cultural, rodas de samba e um baile drag, além de promover uma reflexão sobre vozes periféricas. A entrada será mediante retirada antecipada de ingressos pelo Sympla, uma vez que a capacidade dos espaços é limitada.
A edição deste ano do Festival Grito traz como tema “Vozes Periféricas” e será realizada em diferentes locais da cidade, como a Casa Coletiva, na Praça do Mercado, no centro de Divinópolis, e o Black Garden, na Rua Pitangui. A organização do evento, conduzida pela Casa Coletiva, Ponto de Cultura de Divinópolis, destaca a importância de valorizar artistas e manifestações culturais oriundos das periferias, reforçando que o festival sempre foi um espaço de inclusão e resistência cultural. A iniciativa também integra o Circuito Mineiro de Festivais, por meio da Rota da Diversidade, reforçando sua relevância na circulação e fortalecimento de produções culturais independentes na região.
O Festival Grito, criado em 2003 na cidade de Cuiabá (MT) pelo Coletivo Cubo e disseminado pela rede Fora do Eixo, adotou ao longo dos anos um modelo colaborativo de organização, permitindo que diferentes cidades realizassem suas próprias edições. Após uma expansão nacional e internacional, o evento foi realizado em Divinópolis a partir de 2009, com nove edições até 2019, consolidando-se como um importante fomentador da cena cultural alternativa na região Centro-Oeste de Minas. Após uma década de interrupção, o festival retorna com uma proposta ampliada, incluindo não apenas o rock, tradicionalmente presente na programação, mas também gêneros como rap, swing, forró, samba de roda e manifestações culturais ligadas à cultura drag.
O tema central “Vozes Periféricas” busca dar destaque a artistas e manifestações culturais oriundos das áreas mais marginalizadas, reforçando que a periferia não é uma margem, mas sim uma origem fundamental da cultura local. Entre os destaques da programação está o grupo Black Pantera, de Uberaba, conhecido por sua mistura de rock com posicionamento antirracista. A banda, que recentemente se apresentou no Palco Sunset do Rock in Rio e está indicada ao Grammy Latino de 2026 na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, traz para Divinópolis o show de seu trabalho “Resistência! Ao Vivo no Circo Voador”, realizado pouco antes da cerimônia do prêmio.
Outra atração de destaque é Tamara Franklin, de Ribeirão das Neves, que será a principal artista na sexta-feira, dia 9 de outubro. Iniciando sua carreira aos oito anos, a rapper lançou o álbum “Anônima” e venceu a 8ª edição do Prêmio da Música de Minas Gerais em 2021. No sábado, o evento contará ainda com a presença do grupo Swing Safado, que incorpora referências da música baiana e do cenário carnavalesco de Belo Horizonte, além de Babi Jaques, que apresentará uma mistura de forró, xote e outros ritmos nordestinos.
Na madrugada de sábado para domingo, o Festival promove o baile drag Eleganza, uma celebração da cultura LGBTQIA+ que há mais de uma década movimenta a cena cultural de Belo Horizonte. A festa será conduzida por Rafa Mártir, com apresentações de Mac Júlia, Fran Glam Glam e Voga, e está prevista para ocorrer das 0h45 às 3h, no Black Garden.
A programação do sábado também inclui atividades de formação voltadas a produtores culturais, com oficinas e mesas de discussão, começando às 8h na Casa Coletiva. Entre os destaques estão a oficina “Produção Artística de Eventos Culturais”, ministrada por Fran Glam Glam, e a mesa “Som Dellas: mulheres na produção de festivais”, com participação de Doiska, Irlana Cassini, Fran Glam Glam e Marcela. Essas ações visam promover o fortalecimento da participação feminina na cena cultural e a articulação de uma rede de festivais em Minas Gerais. Encerrando as atividades de formação, haverá um almoço coletivo às 12h.
A programação musical do sábado será transferida para o Black Garden, com início às 17h30, e contará com shows de Mull, Sagrada Escritura do Gueto e Black Pantera, além do bloco “Grito Rock: Periferia em Alto e Bom Som”. O evento seguirá com o tradicional “Grito Safado”, comandado pelo DJ Renan Voodo Fraga, com apresentações de Babi Jaques e Swing Safado, até as 3h da madrugada, quando se encerra a noite com o baile drag Eleganza.
O encerramento do festival está marcado para o domingo, dia 11, na Casa Coletiva, às 11h. A programação inclui roda de samba do Coletivo Takara e o show “Brasilidades”, de Isis Ferreira, às 12h. A proposta é concluir os três dias de atividades culturais com uma celebração da música brasileira e da ocupação cultural do espaço.
A edição de 2026 do Festival Grito reforça sua inserção no Circuito Mineiro de Festivais, uma iniciativa que visa promover a circulação e o fortalecimento da produção cultural independente em cidades do interior de Minas Gerais, com destaque para a Rota da Diversidade, segmento que dialoga diretamente com o tema “Vozes Periféricas”. A Casa Coletiva, responsável pela realização do evento, é um espaço certificado como Ponto de Cultura desde 2013, atuando desde 2021 com sede própria e com foco na cultura periférica, comunicação independente e formação cultural na região Centro-Oeste mineira. Além disso, participou da criação do Circuito 037, uma rede que reúne cerca de 60 coletivos culturais distribuídos por 15 cidades do estado.


