O Supremo Tribunal Federal (STF) permanece como foco central do cenário político brasileiro para o próximo mandato presidencial, previsto para iniciar em 2027. Com a iminente aposentadoria de três ministros da Corte, que completarão 75 anos, e uma vaga atualmente aberta após o Senado rejeitar a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há uma expectativa de que o próximo chefe do Executivo indique entre três e quatro nomes para o Supremo, contribuindo para um possível redesenho da composição do tribunal.
Durante evento realizado no Ceará, o candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que, caso seja eleito presidente, poderá indicar cinco ministros, incluindo a saída do ministro Alexandre de Moraes, alvo de especulações sobre um possível impeachment. Flávio também declarou que acredita na aposentadoria de Gilmar Mendes, prevista para 2030, ano em que termina seu mandato presidencial. Em pronunciamento na Avenida Paulista, no dia 7 de setembro, o parlamentar chegou a afirmar que, com suas indicações, o tribunal não assistirá mais ao “triste espetáculo” de tentativas de proteger Moraes, referindo-se a uma possível queda do ministro, que também é alvo de pedidos de impeachment no Congresso.
No cenário atual, a Corte conta com apenas dez ministros, após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso em outubro de 2025. Desde então, o presidente Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para preencher a vaga, mas o Senado rejeitou sua nomeação por 42 votos contrários a 34 favoráveis, gerando um embate entre os poderes e um clima de tensão entre o Executivo e o Legislativo. Em encontros recentes, Lula sinalizou que pretende tentar novamente indicar Messias ao cargo, embora não tenha mencionado outros nomes para o Supremo, mesmo após pressões internas por uma indicação de uma mulher para a Corte.
Entre as aposentadorias previstas, Gilmar Mendes, que completa 75 anos em 30 de dezembro de 2030, será substituído pelo próximo presidente eleito para o mandato de 2031 a 2034. Além dele, ministros como Fux, que se aposentará em 2028, e Cármen Lúcia, cuja aposentadoria está prevista para 2029, também deixarão a Corte em breve, o que reforça a expectativa de mudanças significativas na composição do STF nos próximos anos.
Nos últimos meses, o Supremo tem vivido uma crise sem precedentes, marcada por troca de acusações e embates públicos entre seus integrantes. Um dos episódios mais emblemáticos envolve o ministro Alexandre de Moraes, que teria trocado mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em novembro de 2022, no dia em que foi preso em São Paulo. A Polícia Federal investiga também uma suposta análise de Moraes em um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Moraes acusa o ministro André Mendonça de agir com viés político-eleitoral e de prejudicá-lo deliberadamente, levando o presidente do STF, Edson Fachin, a assumir a relatoria de alguns processos envolvendo ambos enquanto a situação não é resolvida.
No Congresso, a crise no STF tem impulsionado discussões sobre uma possível minirreforma do Judiciário, incluindo mudanças na forma de indicação dos ministros. Nos últimos dias, mais de uma dezena de pedidos de impeachment contra Moraes foram protocolados, a maioria por cidadãos comuns, embora também exista uma petição de Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo Missão. Essas movimentações indicam um cenário de instabilidade que pode impactar o futuro do tribunal e a relação entre os poderes até as próximas eleições.


