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Campanha de Lula passa por reestruturação e reforça estratégias em reta final do segundo turno

Campanha de Lula passa por reestruturação e reforça estratégias em reta final do segundo turno

A campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou por uma série de mudanças internas na semana que antecede o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Após o primeiro turno, a equipe do petista realizou uma reavaliação de suas estratégias, buscando conter atritos internos que se tornaram públicos e ajustar o foco da disputa. Lula admitiu que sua campanha neste ano foi a “menos organizada” desde sua primeira candidatura, em 1989, e tem buscado, neste período final, fortalecer alianças, aprimorar a comunicação e ampliar sua base de apoio, especialmente nas regiões mais relevantes para o pleito.

Ao longo da semana, Lula reuniu-se com lideranças partidárias e candidatos eleitos para colher sugestões de mudanças estratégicas, visando reverter o resultado que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente na votação. A prioridade da campanha neste momento é conquistar votos de eleitores que votaram em branco ou nulo, além de reduzir a abstenção, convertendo esses segmentos em apoio ao petista. Para isso, Lula retomou suas atividades de campanha neste sábado (10/10), após uma semana de ajustes, participando de atos em Natal (RN) e em Ceilândia (DF), ao lado de aliados locais, como Leandro Grass (PT) e Cadu de Lula (PT).

A estratégia de reestruturação inclui a reformulação da comunicação, especialmente nas redes sociais, com foco na ampliação da presença do presidente nas plataformas digitais. Lula passou a adotar um formato mais informal de vídeos, gravados com a própria câmera, atendendo a pedidos de aliados, sobretudo da ala jovem. De quarta a sexta-feira, o presidente publicou 13 vídeos nesse estilo, buscando uma aproximação maior com o eleitorado e uma comunicação mais direta. Essa mudança ocorreu após reunião com parlamentares jovens, na qual Lula ouviu sugestões para diversificar seus conteúdos online.

Internamente, a equipe de campanha também passou por uma reformulação no núcleo de coordenação. O ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana assumiu a coordenação política, enquanto o ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia, Rui Costa, passou a coordenar a agenda. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, ficou responsável pela comunicação. A coordenação geral permanece sob comando de Edinho Silva, presidente nacional do PT. Camilo Santana afirmou que as mudanças representam um reforço do time, com a intenção de ampliar a votação de Lula no Sudeste e recuperar votos no Nordeste, região que historicamente é forte para o PT, mas que apresentou desempenho inferior ao de 2022 em estados como Maranhão e Bahia.

A campanha também investiu na contratação de marqueteiros baianos e pernambucanos, que atuaram na campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia e na tentativa de campanha de João Campos (PSB) em Pernambuco. Uma das preocupações internas é ampliar a presença de Lula nas redes sociais, onde a estratégia de conteúdo mais informal e próximo ao eleitor vem sendo intensificada. Lula, por exemplo, tem gravado vídeos em formato selfie, uma mudança que foi bem recebida por aliados que defendiam maior espontaneidade na comunicação do presidente.

No âmbito interno, também foram reconhecidos erros estratégicos. O ex-ministro Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha, admitiu que a equipe dedicou tempo excessivo à comparação entre o governo Lula e o governo Bolsonaro, sem apresentar propostas sólidas para o futuro. Além disso, apontou dificuldades do governo em compreender a insatisfação da população, especialmente na área econômica, diante do aumento do endividamento das famílias brasileiras.

Críticas internas também envolveram a composição do comando da campanha. A ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, afirmou que a primeira-dama Janja Lula da Silva vem ocupando mais espaço na disputa do que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Segundo ela, Alckmin, bem visto pelo empresariado e pelo eleitorado de São Paulo, deveria ter maior destaque, especialmente após o desempenho adverso de Lula no primeiro turno naquele estado. Kátia também criticou a presença de dirigentes paulistas sem votos na estrutura de comando da campanha.

Por fim, o cenário eleitoral paulista também foi mencionado, com destaque para a derrota do candidato petista ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, que obteve 36,42% dos votos no primeiro turno, ficando atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que conquistou 62,65%. As candidatas ao Senado na chapa de Haddad, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), também não foram eleitas. Esses resultados reforçam a necessidade de ajustes na estratégia de Lula e de seus aliados para os próximos dias, visando consolidar votos e ampliar sua vantagem no segundo turno.

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