A primeira edição da Caminhada Para Exu será realizada neste sábado (31), no Centro de Belo Horizonte, em homenagem a Exus e Pombagiras, entidades associadas às religiões de matriz africana. A concentração está marcada para as 14h, em frente ao Palácio das Artes. O grupo deve iniciar o trajeto até a Praça 7 às 15h.
O evento é organizado por pai Fabrício de Marabô, idealizador da caminhada e presidente da Associação Cultural Nacional Afro-Brasileira Nacional de Kimbanda. Segundo ele, a proposta da mobilização é celebrar as entidades e, ao mesmo tempo, levar ao espaço público informações sobre as religiões de matriz africana.
A escolha do Centro de Belo Horizonte como local da atividade também está relacionada ao objetivo de ampliar a visibilidade da celebração. A caminhada terá início em frente ao Palácio das Artes e seguirá até a Praça 7, um dos pontos mais conhecidos da capital mineira. Para o organizador, o destino tem relação simbólica com os sentidos atribuídos a Exu, especialmente o movimento e a comunicação.
De acordo com pai Fabrício, a iniciativa também busca enfrentar a visão preconceituosa historicamente associada a Exus e Pombagiras. Ele afirma que essas entidades não estão relacionadas ao diabo, como costuma aparecer em interpretações preconceituosas, mas à abertura de caminhos, ao movimento e à comunicação.
“Nós não cultuamos o diabo, nós cultuamos a Exú, que é movimento, é a comunicação. Nada melhor do que falar sobre comunicação em um local tão simbólico de movimento, como a Praça 7”, declarou o pai de santo.
Programação terá cantigas e entrega de presente
Durante o percurso, estão previstas cantigas e a entrega de um presente à entidade. A organização informou, no entanto, que não haverá incorporações nem atendimentos espirituais ao longo da caminhada.
Segundo pai Fabrício, manifestações desse tipo são realizadas nos terreiros, considerados os espaços próprios para a realização dos rituais religiosos. A atividade deste sábado terá, portanto, caráter de celebração pública e de divulgação das religiões de matriz africana, sem a realização dos procedimentos espirituais mencionados pelo organizador.
A programação ainda inclui uma homenagem a Exu e Pombagira feita por um casal selecionado para participar da celebração. Um dos destaques será a interpretação de Exu por um protagonista que, conforme o organizador, não pertence a uma religião de matriz africana.
Segundo pai Fabrício, essa pessoa é integrante de uma religião cristã e prestará a homenagem por meio de seu trabalho, de sua arte e de sua cultura. A participação é apresentada como parte da proposta de reconhecimento das entidades e de ampliação do diálogo entre diferentes expressões religiosas e culturais.


