A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira, 21 de setembro, o registro do medicamento Etcamah para o tratamento de adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático. A aprovação permite o uso do remédio em casos nos quais o tumor já se disseminou para regiões próximas ou outros órgãos, ampliando as opções terapêuticas para um grupo específico de pacientes no Brasil.
Desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca, o Etcamah já havia recebido autorização para uso em outros mercados, como Estados Unidos e países europeus, além de ser utilizado em diversas nações. No contexto brasileiro, a aprovação representa um avanço importante no combate ao câncer de mama, uma das doenças mais frequentes entre mulheres e uma das principais causas de mortalidade por câncer no país. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registra mais de 73 mil novos casos anuais dessa enfermidade, reforçando a necessidade de ampliar as alternativas de tratamento disponíveis.
O medicamento é indicado especificamente para pacientes com câncer de mama do tipo HR positivo e HER2 negativo que apresentam mutação no gene ESR1. Este perfil genético costuma emergir durante o tratamento inicial com terapia hormonal combinada a inibidores de CDK4/6, antes que haja sinais claros de progressão da doença em exames de imagem. A possibilidade de intervenção precoce com Etcamah pode ser fundamental para atrasar o avanço da doença nesses casos.
A decisão da Anvisa foi fundamentada em um ensaio clínico internacional que acompanhou 315 pacientes com câncer de mama avançado. Os estudos compararam o uso do Etcamah em combinação com um inibidor de CDK4/6 contra o tratamento convencional baseado em inibidores de aromatase. Os resultados demonstraram uma redução de 56% no risco de progressão da doença ou de óbito entre as pacientes que receberam o novo medicamento na combinação testada.
O mecanismo de ação do Etcamah envolve o bloqueio do receptor de estrogênio presente nas células tumorais, além de promover sua degradação. Essa ação dificulta o crescimento do tumor, uma característica especialmente relevante para pacientes que desenvolvem resistência às terapias hormonais tradicionais. Estimativas indicam que aproximadamente 30% das mulheres com esse tipo de câncer adquirem mutações no gene ESR1 ao longo do tratamento, o que reduz a eficácia de tratamentos convencionais.
Segundo o Inca, o câncer representa um problema de saúde pública global, sendo uma das principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de recuperação, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos inovadores.
Além do avanço no tratamento, é fundamental que os pacientes estejam atentos aos sinais que o corpo dá. Mudanças como perda de peso inexplicada, alterações na textura da pele, caroços ou inchaços persistentes, tosse prolongada, alterações em pintas, sangue nas fezes ou urina, dores frequentes e persistentes, além de dificuldades ao engolir ou azia forte, podem indicar a presença de câncer. A detecção precoce e o acompanhamento médico adequado são essenciais para aumentar as probabilidades de sucesso no combate à doença.


