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Sistema olfativo possui conexão direta com áreas cerebrais responsáveis por memórias e emoções

Sistema olfativo possui conexão direta com áreas cerebrais responsáveis por memórias e emoções

O sentido do olfato possui uma via de comunicação direta com regiões do cérebro responsáveis pelas emoções e memórias, diferentemente dos demais sentidos como visão e audição, que passam pelo tálamo antes de serem processados. Essa característica explica por que estímulos olfativos podem rapidamente evocar lembranças de momentos passados, como uma cena de infância ou uma conversa antiga, muitas vezes de forma instantânea e intensa.

Segundo o neurologista e psicanalista Sérgio Spritzer, criador do Campo de Ciências da Interação Humana em Porto Alegre, as células receptoras no nariz conectam-se ao bulbo olfatório, uma estrutura na base do cérebro que processa os sinais de odores. De lá, as informações seguem diretamente para a amígdala e o hipocampo, regiões envolvidas na formação de memórias e na gestão das emoções. Essa conexão direta confere ao olfato um “caminho expresso” para o cérebro, o que explica por que o cheiro chega primeiro ao cérebro do que a palavra correspondente, permitindo que a pessoa sinta o aroma antes mesmo de identificar ou nomear o que está percebendo.

Spritzer destaca que o estímulo olfativo geralmente remete a um contexto completo, envolvendo pessoas, locais e situações, ao invés de recuperar fatos isolados. Essa capacidade de resgatar memórias completas faz do olfato uma via poderosa para a recuperação de experiências vividas, especialmente na primeira infância, fase em que o entendimento do mundo ocorre predominantemente de forma corporal. O sistema olfativo tende a consolidar associações iniciais, de modo que um cheiro conectado a uma pessoa ou lugar pela primeira vez torna-se altamente resistente a alterações ao longo do tempo. Dessa forma, uma memória olfativa relacionada à casa da avó, por exemplo, pode persistir por décadas, resistindo ao passar dos anos e às novas experiências.

A importância dessa via de acesso às memórias permanece mesmo em quadros de perda cognitiva severa, como no Alzheimer. Pesquisas indicam que estímulos olfativos podem ser utilizados na medicina diagnóstica e terapêutica para evocar memórias e melhorar o humor de pacientes que já não respondem a estímulos visuais ou verbais. Cheiros familiares, nesse contexto, oferecem uma porta de entrada mais duradoura para o mundo interior do paciente, prolongando a conexão com suas memórias autobiográficas.

A relação entre o olfato e o sistema límbico, responsável pelo gerenciamento das emoções, também tem sido explorada pela indústria de cosméticos. A perfumaria funcional utiliza dados neurofisiológicos para desenvolver fragrâncias que induzam estados de relaxamento, foco e bem-estar. Maria Ribeiro Gomes, consultora de marketing da Capuani do Brasil, explica que o desenvolvimento dessas fragrâncias envolve o monitoramento da atividade cerebral por meio de eletroencefalograma (EEG), que registra em tempo real as ondas elétricas geradas pelo cérebro. Essa técnica permite observar como diferentes aromas influenciam padrões de ondas cerebrais associados a estados emocionais, como relaxamento ou atenção.

Durante os testes laboratoriais, a equipe acompanha o estado basal do cérebro e monitora as respostas fisiológicas diante de cada aroma. Muitas vezes, há discrepâncias entre o que o participante relata e as respostas fisiológicas detectadas, indicando que a percepção consciente nem sempre reflete as reações neurológicas. Apesar de fatores culturais e experiências pessoais influenciarem a percepção de aromas, o mapeamento neurofisiológico possibilita identificar tendências estatísticas de resposta, contribuindo para o desenvolvimento de fragrâncias com efeitos específicos na saúde emocional e mental.

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