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Alta nos preços do petróleo aumenta pressão sobre subsídios do governo Lula às vésperas do primeiro turno eleitoral

Alta nos preços do petróleo aumenta pressão sobre subsídios do governo Lula às vésperas do primeiro turno eleitoral

A menos de duas semanas da realização do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o governo federal enfrenta uma crescente pressão devido à elevação dos preços dos combustíveis, impulsionada pela escalada do petróleo no mercado internacional em meio ao conflito no Oriente Médio. Apesar de uma série de medidas adotadas pelo governo para conter os custos, os preços dos derivados de petróleo continuam a subir, colocando em xeque a sustentabilidade dos subsídios e influenciando o cenário eleitoral.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, ocorrido em 28 de fevereiro deste ano, entre Estados Unidos, Irã e Israel, os preços dos combustíveis no Brasil têm apresentado alta significativa. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o levantamento semanal de preços revela que, enquanto o etanol apresentou uma redução de 12,74%, todos os demais derivados tiveram alta. O diesel S10 registrou aumento de 14,45%, chegando a um valor médio de revenda de R$ 6,55 por litro na última semana de avaliação, em comparação aos R$ 6,03 de fevereiro.

A gasolina comum também apresentou aumento, de 3,98%, elevando seu preço de R$ 6,28 para R$ 6,53. Esses reajustes ocorreram após uma trajetória de alta que, em março, refletiu uma inflação de 0,88% no mês, sendo o maior índice mensal do ano. Nesse período, os derivados de petróleo contribuíram significativamente para o aumento da inflação, com a gasolina subindo 4,59% e o diesel, 13,9%. O impacto na inflação é especialmente relevante, uma vez que o transporte e o custo de frete são diretamente influenciados pelos preços dos combustíveis.

Apesar das medidas governamentais de contenção, como a zeragem de impostos e a imposição de tarifas de exportação, os preços permanecem elevados. No último dia 9 de setembro, o governo publicou uma medida provisória autorizando a liberação de R$ 6,6 bilhões em crédito extraordinário para subsidiar a importação e produção de combustíveis. Esses recursos destinam-se a financiar ações específicas, como subsídios à importação de petróleo e derivados, buscando mitigar os efeitos da alta internacional.

Especialistas apontam que os subsídios, embora ajudem a reduzir parcialmente o impacto da alta dos preços, não são suficientes para conter totalmente a escalada. Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), destaca que fatores como dependência de importações, especialmente de diesel, além de tributos, custos de distribuição e margens de revenda, dificultam a manutenção de preços acessíveis. Ele observa ainda que o repasse parcial ou defasado dos subsídios aos postos de combustíveis agrava a situação, enquanto a demanda internacional e a oferta também influenciam as variações.

O professor Claudio Felisoni, da FIA Business School, reforça essa análise ao afirmar que os subsídios atuais têm capacidade limitada de atenuar os aumentos, especialmente em um cenário de dependência elevada de importações de diesel. Segundo ele, o aumento dos custos de transporte, refino e refúgio de preços internacionais, aliado à necessidade de gastos públicos crescentes para manter o controle de preços, torna a sustentação dos subsídios fiscalmente mais difícil, sobretudo diante das condições fiscais do país.

A elevação dos preços dos combustíveis é uma preocupação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca reeleição nas eleições marcadas para o próximo dia 4. O cenário eleitoral está marcado por uma disputa acirrada, com o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), apresentando-se tecnicamente empatado nas pesquisas, embora numericamente à frente em alguns levantamentos devido à margem de erro.

Internamente, o governo também enfrenta os efeitos políticos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), considerado aliado do petista, cuja crise judicial tem repercutido na campanha eleitoral e na imagem do Executivo. Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo Brent, referência no mercado internacional, variaram bastante, chegando a ultrapassar US$ 120 por barril em momentos de maior escalada bélica, após uma fase de recuo que trouxe o valor próximo dos US$ 90. Na última sexta-feira, 18 de setembro, o barril foi negociado a US$ 103,72, com uma queda de 1,05% em 24 horas.

A instabilidade no mercado de petróleo é agravada por restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica que responde por aproximadamente 20% a 25% do petróleo mundial, incluindo o produzido na região do Golfo Pérsico, que compreende países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Irã. Essas tensões internacionais continuam a influenciar os preços do petróleo e, por consequência, os custos de combustíveis no Brasil, impactando o cenário econômico e político em um momento decisivo para o país.

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