Correio Divinopolitano

Medioli classifica como surreal possível acordo entre PP e PL e afirma que não se pode “casar com dois ao mesmo tempo”

Medioli classifica como surreal possível acordo entre PP e PL e afirma que não se pode “casar com dois ao mesmo tempo”

O ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL) afirmou, em tom contundente, que a perspectiva de uma aliança entre o Progressistas (PP) — liderado pelo ex-secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro — e o Partido Liberal (PL) é “surreal”. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na convenção estadual do PL, realizada nesta segunda-feira (27). Medioli ressaltou que o PP, sob o comando de Aro, mantém vínculos estreitos com o atual governador Zema e com o deputado estadual Mateus Simões, o que, na leitura dele, aponta para uma composição conjunta que não seria compatível com a lógica de uma única base governista.

O tema, conforme descrito pelo PL, envolve também a delicada negociação em torno de quem ocuparia a chapa majoritária do estado. O partido que sustenta a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PL) aguarda uma definição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) para planejar o palanque de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A convenção desta segunda-feira deixou lacunas em aberto: o parlamentar não confirmou se disputará ou não o Senado, e o PL decidiu prorrogar essa decisão, mantendo em aberto as possibilidades de governadoria e de vice-governadoria em Minas Gerais.

Além disso, a disputa pela sucessão mineira traz outros nomes em evidência dentro do PL. O presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe (PL), e Vittorio Medioli tentam espaço no partido para a indicação à candidatura ao Executivo estadual, indicando que o campo está aberto a diferentes leituras internas sobre quem lideraria o palanque em Minas.

Sobre as perspectivas de alianças, o PL não descartou completamente a possibilidade de uma aproximação com o PP, mesmo após a fala de Medioli. A posição do ex-prefeito de Betim sugere que, a despeito de tentativas de consolidar alianças estáveis, qualquer entendimento envolvendo os três principais protagonistas — Zema, Simões e Aro — seria incompatível com a visão de exclusividade da base de apoio. Em conversa com a imprensa, Medioli utilizou uma expressão de efeito para descrever a situação: “tem que desfazer um casamento para casar com outro”, referindo-se aos vínculos entre o governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato à reeleição; o ex-governador Romeu Zema, pré-candidato ao Planalto; e Marcelo Aro. Em seguida, completou: “Não pode casar com dois ao mesmo tempo. Resolvido isso, poderemos pensar numa coligação, mas não numa fantasia que hoje a possibilidade é meramente virtual e não real.”

Contexto político e implicações

O que está em jogo envolve o peso das alianças no cenário mineiro, onde a definição de palanques para o pleito de 2026 passa por negociações entre legendas com históricos de cooperação e rivalidade. O PL tenta consolidar um caminho que statisticamente favoreça a candidatura de Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que avalia a viabilidade de manter projetos competitivos no estado com força suficiente para influenciar o resultado regional. A participação de Cleitinho Azevedo — senador pela República — ainda depende de um acordo que permita ao partido abrir mão de uma vaga majoritária para facilitar a construção de palanque presidencial, conforme indicaram fontes relacionadas às conversas partidárias. Até o momento, o cenário permanece incerto, com lacunas que devem ser preenchidas nos próximos dias.

Outro elemento relevante envolve a posição da base aliada de Zema, que já tem o PSD de Mateus Simões tentando manter espaço para a reeleição do líder estadual. A tensão entre a necessidade de uma coligação nacional favorável a Flávio Bolsonaro e a exigência de manter um conjunto coeso de candidatos regionais ilustra as dificuldades de costurar alianças entre grandes blocos partidários em Minas Gerais. Medioli, ao enfatizar a necessidade de “desfazer” vínculos antes de firmar qualquer acordo, sinaliza que o PL prefere evitar alianças que possam comprometer a autonomia de sua base ou criar conflitos entre aliados históricos.

Em síntese, a fala de Medioli reflete a ambiguidade que permeia o debate sobre coalizões em Minas: embora haja interesse de manter portas abertas para parcerias com o PP, a organização interna do PL e a avaliação de como distribuir cargos (em troca de apoios ou palanques) mostram que o partido está disposto a conduzir negociações com cautela. O desfecho dependerá de como as lideranças de PL, PP, Republicanos e PSD conseguirem alinhar as expectativas, sem colocar em risco a coesão da própria base de apoio dos candidatos que desejam disputar as próximas eleições em Minas Gerais.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *