O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou a visita de Estado do presidente sul-coreano Lee Jae-myung, realizada nesta segunda-feira (27), para enfatizar a importância da cultura da Coreia do Sul no Brasil. Em declaração conjunta no Palácio da Alvorada, Lula apontou o papel dos doramas e do K-pop como exemplos de como a afinidade entre os dois povos tem se estreitado nos últimos tempos, contribuindo para uma relação bilateral mais sólida.
Numa abordagem descontraída, o chefe do Executivo brasileiro mencionou que “as guerreiras do K-pop” já conquistaram espaço entre os brasileiros e argumentou que os doramas também ajudaram a popularizar a cultura sul-coreana no país. Conforme destacou, essa ligação cultural não apenas aproxima as comunidades, mas também cria um ambiente propício para ampliar a cooperação em outras áreas do relacionamento entre Brasil e Coreia do Sul.
O tom do pronunciamento, porém, manteve o foco na agenda econômica. Lula destacou a necessidade de avançar o acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul e ressaltou o potencial de expansão das trocas bilaterais. Atualmente, o comércio entre as duas economias é estimado em cerca de US$ 11 bilhões por ano, cifra que, segundo o presidente, permanece aquém do que as duas nações poderiam alcançar conjuntamente. Nesse contexto, ele lembrou a importância do livre comércio e criticou o avanço do protecionismo no cenário internacional, fazendo referência às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Além da esfera comercial, o governo brasileiro e a Coreia do Sul assinaram atos bilaterais destinados a ampliar a cooperação em áreas estratégicas como tecnologia, inovação, educação, inteligência artificial, semicondutores, transição energética e minerais críticos. Esses compromissos sinalizam a intenção de diversificar e aprofundar a parceria, com a expectativa de que novas iniciativas fortaleçam a capacidade produtiva de ambos os países e promovam avanços tecnológicos.
No conjunto da agenda, o Brasil também busca ampliar a abertura do mercado sul-coreano para produtos agropecuários, com especial atenção às carnes bovina e suína. A meta, conforme aponta o diálogo entre as autoridades, é ampliar o intercâmbio de insumos e produtos de origem agrícola, aproveitando o dinamismo de um setor reconhecido internacionalmente pela qualidade.
A aproximação entre Brasil e Coreia do Sul tem mostrado evolução desde a visita oficial de Lula à Coreia do Sul, realizada em fevereiro deste ano. Em antecipação à vinda de Lee Jae-myung ao Brasil, a primeira-dama Janja da Silva já entrou no clima da cultura pop ao mencionar o grupo BTS para anunciar a visita do líder sul-coreano nas redes sociais, gesto que, segundo observadores, ajuda a sedimentar o senso de proximidade entre as duas nações.
Essa continuidade diplomática aponta para uma estratégia comum: combinar a força cultural com uma pauta econômica mais robusta, buscando não apenas ampliar o comércio, mas também consolidar parcerias em áreas como tecnologia, inovação e economia verde. Em síntese, a jornada recente reforça a percepção de que a cultura pode servir como ponte para acordos econômicos mais amplos, fortalecendo o papel de cada país no cenário global e contribuindo para uma cooperação bilateral mais abrangente nos próximos anos.


