O ex-governador de Minas Gerais e atual candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (27/7) que o Brasil não suporta mais quatro anos de Lula e do PT, durante a convenção nacional da sigla em Brasília (DF), evento que oficializou a candidatura dele ao Palácio do Planalto. Em sua fala, Zema destacou a percepção de que o país já enfrentou uma sequência de crises políticas e revelou críticas ao governo federal, afirmando que o governo atual “não tem plano de futuro e só pensa em eleição”.
“Ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e PT, ninguém. No passado foi mensalão, petrolão, mala de dinheiro, Lava Jato e agora estamos com banco Master, desconto dos velhinhos e um governo que não tem plano de futuro e só pensa em eleição”, disse o candidato do Novo durante o discurso de convenção. Em tom firme, ele conectou os episódios históricos de scandais a uma avaliação negativa do presente, associando-os a supostas falhas institucionais que, segundo ele, comprometeriam o futuro econômico e social do país.
A formalização da candidatura ocorreu no mesmo ato, que reuniu lideranças e apoiadores do partido. O momento contou com a presença de figuras do Novo, incluindo o senador Eduardo Girão e o presidente nacional da sigla, Eduardo Ribeiro, que acompanharam Zema durante a participação no evento. A cena simbolizou a estratégia do Partido Novo de consolidar uma opção de oposição ao governo federal, buscando consolidar o espaço institucional para o nome que disputará as eleições, sem, ainda, ter definido um vice.
Em outra passagem de seu discurso, Zema reiterou críticas ao PT, afirmando que “tudo o que dá certo neste país parece que o PT não gosta. A minha bandeira é estar contra o PT”. A fala reforça a estratégia de crispação com a oposição, que se caracteriza pela ênfase em diferenças ideológicas e no alinhamento com setores que enxergam o governo atual de forma desfavorável. O ex-governador mineiro também destacou a ideia de que o Novo, ao apresentar sua candidatura, aponta para um afastamento de uma agenda que, segundo ele, não prioriza resultados para o conjunto da população.
Sobre o planejamento para a chapa, Zema ainda não definiu quem poderá compor a dupla na vice-presidência. O anúncio oficial da candidatura, porém, já sinaliza o início de uma campanha que deverá enfatizar temas de soberania nacional, eficiência administrativa e melhoria de gestão pública, ao menos no tom adotado por seus apoiadores até o momento. Em seu primeiro discurso como candidato oficial do Novo, o ex-governador afirmou que lutará para que o Brasil “retome a soberania que estamos perdendo”, mencionando inclusive a reação internacional às designações de grupos criminosos como terroristas pelos Estados Unidos, o que, segundo ele, evidencia a necessidade de revisão de estratégias nacionais em segurança e política externa.
Em termos de cenário eleitoral, a avaliação de intenções de voto ganhou contornos adicionais com a divulgação de uma pesquisa BTG/Nexus na segunda-feira. O estudo aponta um empate técnico em eventual segundo turno entre Zema e Lula, com 42% das intenções de voto para o ex-governador de Minas e 46% para o presidente petista, caso o pleito ocorresse naquele momento. Os números reforçam a percepção de que, mesmo com a proximidade das eleições, o Novo encara o desafio de ampliar seu apoio entre o eleitorado, especialmente diante de um cenário de acirrada competição com a base governista.
O conjunto de declarações, críticas e dados de sondagens pinta um retrato de uma disputa que se intensifica pela frente, com Zema buscando, ao menos, consolidar a noção de que a agenda apresentada pelo Novo representa uma ruptura com o que o candidato e seus aliados caracterizam como ciclo de governança anterior, marcado por escândalos e por políticas que, na visão deles, não favoreceriam o progresso do país. O desfecho do processo eleitoral, ainda em curso, dependerá de como as propostas do Novo serão percebidas pelos diferentes segmentos da sociedade, bem como da capacidade da sigla de traduzir o discurso de mudança em apoio concreto ao longo do caminho até as urnas.


