Durante a convenção nacional do Partido Novo que oficializou o nome de Romeu Zema como candidato à Presidência, o ex-governador de Minas Gerais e atual concorrente à Presidência pela sigla usou o palco para mirar o Supremo Tribunal Federal (STF). Em discurso logo após a confirmação de sua candidatura ao Planalto, Zema afirmou que na Corte ocorrem “aberrações” e afirmou que pretende “acabar com a farra dos intocáveis”.
Ao longo de sua fala, o ex-gestor mineiro reforçou o enfoque de campanha sobre o que chama de excessos de setores da elite institucional, adicionando que deseja redefinir posturas do Judiciário. Em meio às críticas, Zema citou de modo contundente o processo envolvendo o ministro Gilmar Mendes, dizendo que respondeu com orgulho a esse expediente judicial, ao mesmo tempo em que afirmou que “quem andou no jatinho do banqueiro bandido foi ele e os colegas dele, nem ele, não fui eu”. A fala foi dirigida simbolicamente a um conjunto de figuras associadas a controvérsias financeiras que, para o agora candidato, influenciariam decisões de autoridades brasileiras.
Contexto político e a convenção do Novo
Romeu Zema já é conhecido no cenário político por ter sido governador de Minas Gerais de 2019 a 2022. Ao se lançar novamente ao cenário nacional, concorreu pelo Partido Novo, sigla que o confirmou como seu candidato à Presidência durante a convenção. O tom de Zema na apresentação pública, porém, foi de crítica contundente a institutos de decisão e a figuras que, na visão dele, estariam conectadas a gestões e operações que o Novo considera inadequadas. A fala de Zema não apenas reiterou temas de agenda econômica liberal, como também ampliou o foco em reformas institucionais que, segundo ele, deveriam recortar privilégios relacionados ao funcionamento de órgãos de Estado.
Ministros citados de forma indireta
Apesar de mencionar nominalmente apenas Gilmar Mendes durante o discurso, Zema fez alusões que muitos interpretaram como indiretas a outros ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, bem como ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A menção ocorreu em um contexto de acusações e contracitações que, segundo o ex-governador, apontariam para favorecimentos ou relações que, na visão do Novo, comprometem o funcionamento independente do Judiciário. O conteúdo das declarações sugere uma leitura de que haveria interesses cruzados entre figuras públicas e o setor financeiro, uma linha que o candidato costuma explorar para fundamentar críticas ao que chama de “jogo duplo” entre poderes.
Contrato envolvendo o escritório de advocacia da esposa de Moraes
Um dos pontos citados para sustentar a crítica ao STF envolve um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Segundo o material relatado, o contrato foi firmado com a assessoria de Moraes e foi orçado para pagamento ao longo de 36 meses, iniciando em 2024, com parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. A cifra, conforme o relato, destina-se a serviços de consultoria jurídica prestados pela Barci de Moraes Advogados, vinculados ao exercício de atividades legais pertinentes ao banco financiador. Em leituras políticas, esse tipo de contrato é apresentado como evidência de vínculos entre o Judiciário e o setor financeiro, a depender da interpretação de cada parte envolvida.
Relações envolvendo Toffoli, Moraes e Vorcaro
Outro eixo de tensão apresentado no discurso envolve a relação entre Ministros do STF e o empresário dono do Banco Master. O ministro Dias Toffoli, segundo as informações apresentadas, teria admitido participação societária na empresa Maridt, que teria vendido participação em um resort para um fundo relacionado ao cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O relato sugere que Toffoli faria parte do quadro societário, com a operação dizendo respeito à transferência de ativos para um fundo administrado por familiares do empresário Vorcaro. Esses pontos foram ligados por Zema aos temas de corrupção e privilégio institucional, reforçando a narrativa de que o Judiciário estaria sujeito a influências externas sem uma devida separação de poderes.
Compromissos futuros para o STF
Durante a convenção, Zema mencionou que, caso seja eleita, apresentará medidas a serem adotadas junto ao STF. Contudo, o material disponível não detalha quais seriam tais propostas ou mudanças institucionais pretendidas. A ausência de especificações não impede, porém, que o tom do discurso seja interpretado como uma promessa de reorientação do equilíbrio entre os poderes, com ênfase na fiscalização de eventuais abusos de espaço de atuação do Judiciário.
O tom crítico de Zema, destacado na convenção do Novo, reflete uma linha de campanha que remete a reformas no âmbito institucional, com foco em responsabilização e na luta contra o que o senador ou governador eleito costuma descrever como “privilégios” no aparato público. A repercussão dessas declarações depende de como as propostas serão apresentadas e debatidas no intercurso de uma campanha que, historicamente, já trouxe ao centro do debate público temas sensíveis sobre a relação entre Executivo, Legislativo, Judiciário e o mundo financeiro.


