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Flávio Bolsonaro defende candidatura própria do PL em Minas, condicionando apoio à eventual candidatura de Cleitinho

Flávio Bolsonaro defende candidatura própria do PL em Minas, condicionando apoio à eventual candidatura de Cleitinho

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sinaliza que o PL deverá apresentar candidatura própria ao governo de Minas, a menos que o deputado Cleitinho (Republicanos) seja o escolhido para a disputa estadual. A decisão foi tomada após ouvir parlamentares da bancada federal e estadual mineira, e a convenção nacional da legenda está marcada para ocorrer em Minas na próxima segunda-feira, 27. O entendimento da cúpula do PL é de que só haveria justificativa para abrir mão da liderança da chapa caso Cleitinho, que lidera pesquisas e tem negociação já avançada, decida concorrer. Em qualquer outra hipótese, a legenda manteria candidatura própria para fortalecer o desempenho do partido e o pleito presidencial de Flávio Bolsonaro.

A intervenção de Flávio Bolsonaro no embate pela definição da chapa majoritária mineira surge em meio a uma crise entre as forças liberais, acentuada pela movimentação de Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Governo do estado, que buscava se credenciar como o candidato ao governo de Minas na federação entre PL, Republicanos e União — Federação União Progressista (FUP). Aro chegou a iniciar tratativas que desconsideravam as pré-candidaturas do PL de Vittório Medioli, ex-prefeito de Betim, e de Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg. A operação também provocou desconforto entre parlamentares bolsonaristas autênticos, como o deputado federal Cabo Junio Amaral (PL), que não viu apoio de Aro quando disputou a prefeitura de Contagem em 2024. Naquele pleito, o PP apoiou a reeleição da então prefeita Marília Campos (PT).

A movimentação de Aro atingiu ainda o ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, que se filiou ao Republicanos e abriu mão da prefeitura para integrar o projeto de candidatura ao governo de Minas ao lado de Cleitinho. O acordo com Cleitinho previa que Falcão atuaria como vice na chapa; caso o senador não concorresse ao governo, Falcão seria o candidato com o respaldo dele. Aro já tinha histórico de atrito com Falcão: em 2023, durante a eleição para a Associação Mineira dos Municípios (AMM), Falcão, então filiado ao Novo e com apoio prometido do governo Zema, precisou se reorganizar para enfrentar Marcos Vinicius Bizarro, que disputava a reeleição e foi derrotado com o apoio de Aro e da estrutura governamental.

O interesse de Aro em consolidar o campo da direita em torno de seu nome aumentou após a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, na tentativa de manter a reeleição. Com isso, Aro viu espaço para deixar o governo de Mateus Simões (PSD), no qual ocupava posições de liderança e controlava centenas de cargos comissionados, para pressionar a interferência junto à cúpula nacional da federação União-PP e com isso viabilizar a candidatura ao governo de Minas. Ele articulou com a bancada federal mineira do PP e do União a defesa da ideia, levando a discussão à instância nacional da Federação União-PP. Mesmo após alegar ter sido “traído” por Mateus Simões, Aro acabou recebendo aval para concorrer, não ao Senado, mas ao governo de Minas.

Até então, Aro já mantinha conversas com Cleitinho e com a direção estadual do Republicanos, tendo convencido-os a apoiá-lo caso Cleitinho não disputasse o governo. Com esse “trunfo” aparente, ele levou ao PL de Minas a mensagem de que Cleitinho não seria candidato e que o apoiaria. O PL mineiro enxergou ali a oportunidade de construir uma unidade de direita em torno de Aro, ainda com a promessa de que a Federação União Progressista entregaria o apoio ao PL em outros estados. Entretanto, as movimentações motivaram reação entre membros do próprio partido e de lideranças do Republicanos, que passaram a contestar a estratégia.

Diante do cenário, Flávio Bolsonaro resolveu intervir, orientando que o PL deveria manter candidatura própria em Minas, caso Cleitinho não se pronunciasse sobre a disputa. A justificativa, segundo interlocutores, reside no luto de Cleitinho pela morte do irmão e na ausência de sinalização pública sobre sua eventual candidatura, o que abriu espaço para que o PL mineiro mantivesse sua posição de independência estratégico-eleitoral.

Do lado do governo de Mateus Simões, interlocutores consideram a alegação de traição por parte de Aro absurda, já que a ideia de ele concorrer ao Senado estava, segundo eles, assegurada. Além disso, argumentam que Aro ganhou influência política ao distribuir verbas para prefeitos em troca de apoio futuro, principalmente no contexto da atuação dele dentro do governo, o que reforçaria a dúvida sobre quem traiu quem nesse tabuleiro político.

Em síntese, o cenário em Minas permanece conturbado, com o PL buscando manter a candidatura própria à governação, a menos que Cleitinho participe da disputa, enquanto Marcelo Aro intensifica uma estratégia de reorganização da direita que esbarra em resistências internas, acordos não cumpridos e desdobramentos políticos que ainda exigem afirmação clara. O desfecho depende, entre outros fatores, da convenção do PL em Minas e das futuras articulações entre as siglas do bloco conservador.

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