Correio Divinopolitano

Agressões verbais, violência psicológica e stalking sobem entre mulheres em Minas Gerais, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Agressões verbais, violência psicológica e stalking sobem entre mulheres em Minas Gerais, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (23), indicam que a violência contra mulheres em Minas Gerais vai além dos feminicídios e vem apresentando queda de esperança para muitos relatos de agressão. O levantamento aponta uma escalada de ocorrências em três frentes: violência psicológica, stalking (perseguição) e ameaças, revelando números que acendem o alerta para políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero no estado.

No que diz respeito à violência psicológica, o estado registrou um aumento de 32,5% nas ocorrências, saindo de 3.004 registros para 3.994. Em termos de referência proporcional, a taxa por cada 100 mil mulheres subiu de 27,6 para 36,6, configurando um dos maiores crescimentos percentuais entre os indicadores avaliados pelo Anuário no âmbito mineiro. Esse tipo de violência, frequentemente sutil, pode representar um ciclo de agressões que tem impacto direto na saúde mental das vítimas e na continuidade de outros tipos de violência, conforme o relatório.

Perseguição reiterada (stalking) e suas implicações

Os casos classificados como stalking — caracterizados pela perseguição reiterada que ameaça a integridade física ou psicológica e restringe a liberdade da vítima — também apresentaram alta expressiva no estado. A contagem aumentou 22,2%, passando de 5.327 para 6.533 ocorrências. A taxa correspondente subiu para 59,9 registros por 100 mil mulheres, demonstrando que Minas Gerais enfrenta uma escalada significativa nesse tipo de violência que, em muitos casos, antecede episódios de maior gravidade.

Panorama nacional e leitura do conjunto de dados

A análise do Anuário aponta, em nível nacional, que os avanços não se restringem a Minas. A violência psicológica registrou elevação de 16,9% no Brasil, com 60.830 ocorrências. O stalking apresentou alta de 30,1%, totalizando 123.871 registros. O relatório ressalta que essas modalidades de agressão costumam integrar um ciclo contínuo de violência que pode evoluir para lesões graves e, em casos extremos, feminicídios, caso não haja intervenções efetivas por parte do Estado.

A divulgação dos dados evidencia a necessidade de ações públicas consistentes voltadas para a prevenção, proteção e apoio às mulheres que sofrem esse tipo de violência. A escalada de violência psicológica e de perseguição aponta para desafios na detecção precoce, no acesso a serviços de proteção e na responsabilização de aggressors, aspectos centrais para reduzir a recorrência e as consequências humanas envolvidas.

Em síntese, o levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública sinaliza que Minas Gerais registra não apenas casos de feminicídio, mas também um conjunto de manifestações de violência de gênero que demandam atenção governamental, políticas públicas específicas e maior investimento em redes de proteção, apoio à vítima e educação para a prevenção de toda a cadeia de violências contra mulheres.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *