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‘Família está com medo’, diz tio de capitã durante velório da militar em BH

‘Família está com medo’, diz tio de capitã durante velório da militar em BH

Justiça manteve a prisão preventiva do sargento investigado por feminicídio
Durante as homenagens de despedida da capitã da Polícia Militar (PMMG), que morreu na segunda-feira (20) após ser levada já sem vida para o hospital pelo companheiro, um sargento da corporação,  um tio da vítima revelou que a família vive sob o sentimento de insegurança. Durante o velório nesta segunda-feira (22), no bairro São Cristóvão, na região Noroeste de Belo Horizonte, o parente relatou que familiares evitam se manifestar publicamente por receio de retaliações.
“Não querem dar entrevista, principalmente porque se sentem ameaçadas no futuro. Desculpe falar, mas ele tem muitos amigos e elas têm medo de que essas pessoas possam causar algum dano”, disse o tio. Segundo ele, a mãe da policial está “profundamente abalada” e sob medicação. “Ela está muito abatida. Mesmo com os medicamentos, a gente vê que ela está muito abalada. Todo mundo está muito emocionado”, desabafou.
Velório ocorre na Funerária Dom Bosco, no bairro São Cristóvão (Reprodução/TV Record)
O familiar detalhou o perfil de convivência do sargento suspeito com a vítima e com parentes próximos, descrevendo episódios frequentes de violência. “Ele sempre foi muito agressivo com ela. A mãe passou por momentos muito difíceis por causa dele. Não só com ela, mas até com o ex-marido da minha sobrinha já houve casos em que ele quis agredi-lo”, afirmou.
Na avaliação do tio, o militar mantinha uma postura dominadora. “Ele é uma pessoa manipuladora, um opressor, uma pessoa agressiva”, declarou. Ele relembrou que a família tentava constantemente aconselhar a capitã a romper a convivência: “A família incentivava que ela largasse esse relacionamento constantemente. Ela já tinha saído diversas vezes, mas ele sempre ia atrás, persuadia e fazia com que ela voltasse”.
A comandante-geral da PMMG, coronel Cleide Barcelos, afirmou nesta quarta-feira (22) que a morte da capitã reforça a necessidade de combater a violência doméstica. A declaração foi dada durante o velório da oficial, realizado em Belo Horizonte.
Emocionada, a comandante disse que a perda da militar representa também a dor de milhares de mulheres vítimas desse tipo de violência. “Nos meus 29 anos de polícia e dois meses de comando da instituição, eu aprendi uma coisa: não existe nada mais triste do que a perda de uma vida. A morte da capitã Michelle e de todas as outras mulheres, em virtude da violência doméstica e familiar contra a mulher, nos toca a alma. Ela nos motiva cada vez mais a lutarmos contra esse inimigo visível e muitas vezes invisível que assola a nossa sociedade”, afirmou.
A cerimônia de velório ocorreu em uma funerária no bairro São Cristóvão, na região Noroeste da capital mineira, reunindo amigos, familiares e colegas de corporação. A morte da capitã de 41 anos ocorreu na última segunda-feira (20), quando ela deu entrada sem sinais vitais no Hospital Odilon Behrens, levada pelo marido, que é sargento da PM.
Nesta quarta-feira (22), a Justiça converteu a prisão em flagrante do sargento de 37 anos em preventiva após audiência de custódia, com o entendimento de que a medida é necessária para garantir a ordem pública. O processo tramita em segredo de Justiça.
Imagens do circuito interno do condomínio onde o casal morava, no bairro Palmares, registraram o momento em que o suspeito transportou a mulher até a garagem antes de ir ao hospital. Na residência, perícias identificaram manchas de sangue em cômodos, um bastão de madeira quebrado e peças de roupa recém-lavadas. A equipe médica acionou a polícia após identificar múltiplos hematomas divergentes da explicação inicial dada pelo sargento, que alegou uma queda da escada.
Em nota, a defesa do sargento informou que recebeu a decisão “com respeito”, mas afirmou discordar dos fundamentos que embasaram a conversão em preventiva. Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, não haveria elementos que justificassem a manutenção da medida cautelar.
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